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Com retirada de Maduro, capital político de Rubio fica atrelado à Venezuela

13 jan 2026 - 15h08
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A grande influência de Marco Rubio no segundo governo de Trump, acumulando cargos que vão de secretário de Estado a conselheiro de segurança nacional, provocou uma onda de memes gerados por IA, incluindo um recente que o retrata em trajes militares como governante da Venezuela.

A piada online é particularmente ressonante para Rubio, filho de imigrantes cubanos que há muito tem demonstrado sua ira contra o aliado regional mais importante da nação comunista, a Venezuela, e seu líder de longa data, Nicolás Maduro, preso pelas forças ‌dos Estados Unidos em 3 de janeiro sob alegação de tráfico de drogas.

O sucesso militar foi um triunfo pessoal para Rubio. Mas pode ser uma bênção política mista para um homem que concorreu à presidência em 2016 e é amplamente considerado como um ‌dos principais candidatos em 2028.

Ele agora está encarregado de conduzir a Venezuela do caos potencial, no vácuo criado pela captura de Maduro, em direção ao futuro democrático que ele imaginou quando era um jovem senador, vinculando fortemente sua sorte política à do próprio país.

Rubio teve uma candidatura presidencial malsucedida em 2016, perdendo uma primária contundente para Donald Trump, e em 2028 poderá se ver competindo com o vice-presidente JD Vance pela indicação republicana. Vance é a favor da moderação na política externa. Isso contrasta com o histórico agressivo de Rubio, que atraiu críticas de alguns membros do movimento MAGA de Trump. Eles o veem como um neoconservador que defende mais intervenções dos EUA no exterior.

"O governo vai lidar com a Venezuela nos próximos meses e provavelmente anos, e ‍isso pode muito bem ser um fardo para Marco Rubio, politicamente e de outras formas", disse Justin Logan, diretor de estudos de defesa e política externa do Cato Institute.

O gabinete de Vance não fez comentários para esta matéria.

Tommy Pigott, porta-voz adjunto principal do Departamento de Estado, contestou a existência de qualquer diferença de abordagem dentro do governo e disse que o plano em fases de Washington para a Venezuela inclui a reconciliação política e, por fim, a normalização.

"Todo o governo está unificado no cumprimento da meta do presidente Trump -- fazer com que a Venezuela deixe de ser um país oprimido por um regime narcoterrorista ilegítimo que ameaça nossa segurança e passe a ser ‌um país estável que é um parceiro na região", disse Pigott.

POLÍTICA DE EXÍLIO

A operação na Venezuela já melhorou a imagem de Rubio entre alguns apoiadores online que o veem como ‌a face competente de um governo muitas vezes caótico.

Isso também lhe deu um impulso em seu Estado natal, a Flórida, onde passou parte de sua infância entre a comunidade cubana anticomunista de Miami, uma experiência que, segundo ex-assessores, moldou fundamentalmente sua visão de mundo.

A luta contra o comunismo e o socialismo é "parte de seu DNA" e "fundamental para sua identidade política", disse Cesar Conda, estrategista republicano que foi chefe de gabinete de Rubio de 2011 a 2014.

"Este é o NOSSO hemisfério, e o presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada", dizia uma postagem na mídia social do Departamento de Estado de Rubio.

A base política de Rubio na Flórida seria energizada por um retorno à democracia na Venezuela, e ainda mais se o governo puder usar a remoção de Maduro para promover mudanças em Cuba, que depende da Venezuela para importações subsidiadas de petróleo.

Trump disse que não haverá mais petróleo ou dinheiro venezuelano para Cuba e sugeriu que Havana deveria fazer um acordo com Washington.

A operação na Venezuela causou ótima impressão nos venezuelanos e cubanos norte-americanos no sul da Flórida, o que poderia ajudar os republicanos nas eleições de meio de mandato de 2026, argumentou Ford O'Connell, estrategista político republicano baseado na Flórida.

Ainda assim, acrescentou, é improvável que a política latino-americana afete a composição da chapa presidencial republicana de 2028. Trump é o grande fiador e, no momento, está se inclinando para Vance, disse O'Connell.

O próprio Trump acenou repetidamente para Rubio e Vance como possíveis sucessores, deixando claro que ambos são favoritos a seu ver, além de possíveis companheiros de chapa um do outro.

"Acho que se eles formassem um grupo, seria imbatível", disse Trump em outubro.

TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA?

Rubio, de 54 anos, deixou sua marca no Senado ao se insurgir contra o governo socialista de Caracas e, em particular, contra seus laços estreitos com Havana, e trabalhou com o primeiro governo Trump de 2017 a 2021 para aumentar as sanções contra a Venezuela.

Sua primeira viagem ao exterior como secretário de Estado ressaltou seu foco. Em fevereiro, durante uma passagem pela América Central e pelo Caribe, ele supervisionou a apreensão formal de um avião usado por Delcy Rodríguez, então vice-presidente de Maduro, que havia sido retido pelas autoridades dominicanas.

Rubio apoiou a decisão de Trump de permitir que Rodríguez permaneça no poder e liderou os contatos do governo com a nova líder. Mas tem laços de longa data com os líderes da oposição venezuelana, incluindo a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, e falou de suas esperanças de democracia para os venezuelanos.

Na quarta-feira, ele delineou um plano de três fases em que os EUA garantiriam a estabilidade na Venezuela, supervisionariam uma recuperação em que as empresas americanas ‌ajudariam a reconstruir o setor de energia do país e os membros da oposição seriam libertados da prisão ou teriam permissão para voltar do exílio, antes de finalmente passar para uma transição.

Na sexta-feira, a Venezuela começou a libertar prisioneiros, e Trump se reuniu com executivos do setor de petróleo para pressioná-los a investir.

Mas o caminho para uma Venezuela democrática ainda é longo.

Will Freeman, membro do Conselho de Relações Exteriores, disse que ainda não está claro se outros altos funcionários do governo estão empenhados em supervisionar a transição completa.

"Como ele vai convencer Trump, o mais importante, e uma massa crítica de outros funcionários do governo, de que é do interesse deles que as coisas avancem além dessa fase dois?", questionou Freeman.

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