China chama de "coerção que não leva a nada" ameaça de Trump de taxar aliados da Rússia
A China criticou nesta terça-feira (15) a ameaça do presidente americano de sobretaxar os parceiros comerciais da Rússia se a ofensiva na Ucrânia não cessar dentro de 50 dias. O ultimato foi dado na segunda-feira (14) por Donald Trump, que anunciou também um o envio de armas a Kiev. Em conversa com o chanceler russo Serguei Lavrov, o presidente chinês declarou hoje que "os dois países devem reforçar seu apoio mútuo".
A China criticou nesta terça-feira (15) a ameaça do presidente americano de sobretaxar os parceiros comerciais da Rússia se a ofensiva na Ucrânia não cessar dentro de 50 dias. O ultimato foi dado na segunda-feira (14) por Donald Trump, que anunciou também um o envio de armas a Kiev. Em conversa com o chanceler russo Serguei Lavrov, o presidente chinês declarou hoje que "os dois países devem reforçar seu apoio mútuo".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a demonstrar frustração com o presidente russo Vladimir Putin e indicou que sua paciência está chegando ao limite. Durante reunião na Casa Branca com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, ele declarou que a Rússia tem 50 dias para encerrar a guerra na Ucrânia, sob pena de enfrentar novas sanções severas, incluindo tarifas de até 100% na exportação de seus produtos. Trump também anunciou o envio iminente de uma grande quantidade de armas a Kiev através da Otan.
Sobre as sobretaxas, o republicano acrescentou que seriam "tarifas secundárias" que afetariam os parceiros comerciais da Rússia. O objetivo é sufocar economicamente o país, que já enfrenta duras sanções ocidentais.
O presidente russo, Vladimir Putin, não dá sinais de querer encerrar o conflito na Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022. A ofensiva russa se intensificou nas últimas semanas, diante do impasse nas negociações lideradas pelos Estados Unidos para encerrar os combates. A cada semana, Moscou bate recordes no número de drones lançados contra o território ucraniano.
China principal parceiro comercial da Rússia
O principal parceiro comercial da Rússia no ano passado foi a China, com quase 34%, seguida de longe por Índia, Turquia e Belarus, segundo o Serviço Federal de Alfândegas da Rússia.
Pequim reagiu nesta terça-feira às ameaças de Trump, que chamou de "coerção que não leva a lugar nenhum".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, declarou que "a coerção ou as pressões não podem resolver os problemas".
Ele acrescentou que Pequim era favorável a uma "solução política para a crise na Ucrânia".
Presidente da China promete mais apoio à Rússia
O presidente chinês, Xi Jinping, teve um encontro bilateral com o chanceler russo, Sergey Lavrov, nesta terça-feira à margem de um encontro ministerial da Organização de Cooperação de Xangai. Xi Jinping disse que China e Rússia devem "reforçar seu apoio mútuo", informaram as agências estatais após a reunião.
O presidente chinês defende que os dois países coloquem "em prática o importante consenso" alcançado com o presidente russo, Vladimir Putin, e "reforcem seu apoio mútuo em fóruns multilaterais", segundo a agência oficial de notícias chinesa Xinhua. Pequim e Moscou devem "unir os países do Sul Global e promover o desenvolvimento da ordem internacional em uma direção mais justa e mais razoável", indicou a mesma fonte.
O encontro aconteceu em Pequim depois de uma reunião geral com os ministros de Relações Exteriores da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). A OCX reúne 10 países, incluindo China, Rússia, Irã, Índia e Paquistão. Seu objetivo é atuar como um contrapeso às organizações ocidentais e reforçar a cooperação em questões políticas, de segurança e comerciais. Entre os temas discutidos está a preparação de uma visita do presidente russo, Vladimir Putin, à China para participar de um encontro de cúpula da OCX, informou Moscou.
O ministro russo das Relações Exteriores desembarcou na China após uma visita à Coreia do Norte, onde recebeu garantias de apoio na guerra contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
Pequim, aliado diplomático e econômico de Moscou, afirma ter posição neutra no conflito entre Rússia e Ucrânia. A China, no entanto, nunca denunciou a ofensiva russa de mais de três anos e não pediu uma retirada de tropas. Muitos aliados de Kiev consideram que Pequim fornece apoio a Moscou.
A China pede com frequência o fim dos combates, enquanto acusa os países ocidentais de prolongar a guerra com o fornecimento de armas à Ucrânia.
(RFI com AFP)