Míssil americano atingiu área perto de escola onde Irã diz que mais de 100 crianças morreram, mostra análise de vídeo
Area perto da escola no Irã foi atingida por uma série de ataques dos EUA, segundo especialistas em análise de vídeo. Autoridades iranianas afirmam que 168 pessoas, entre elas mais de 100 crianças, foram mortas
Um míssil Tomahawk americano atingiu uma base militar perto de uma escola primária no sul do Irã, segundo indicam análises de especialistas em vídeo.
Autoridades iranianas afirmam que foram mortas 168 pessoas, entre elas cerca de 110 crianças.
Um vídeo publicado no domingo (8/3) pela agência de notícias semioficial do Irã Mehr mostra um míssil momentos antes de atingir uma base do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) ao lado da escola primária Shajareh Tayebeh, na cidade de Minab.
O BBC Verify, serviço de checagem da BBC, confirmou a autenticidade do vídeo e já havia determinado, por meio de imagens de satélite, vídeos verificados e análises de especialistas, que a área perto da escola foi atingida por uma série de ataques.
Os especialistas que analisaram este vídeo mais recente afirmaram que a presença de um míssil Tomahawk, aliada a evidências de que a área foi atingida por diversos ataques, indica que a operação foi realizada pelos Estados Unidos.
Não se tem conhecimento de que Israel e o Irã possuam mísseis Tomahawk, segundo os especialistas.
A conclusão também faz com que o cenário de que um único míssil iraniano tenha atingido o local ao mesmo tempo e causado o alto número de mortes informado se torne altamente improvável, declarou um especialista ao BBC Verify.
O presidente americano, Donald Trump, declarou no sábado (7/3) que o Irã seria o culpado pelo ataque à escola.
"Achamos que foi feito pelo Irã porque eles têm muita imprecisão com suas munições, como você sabe. Eles não têm nenhuma precisão", disse Trump aos repórteres, a bordo do avião presidencial americano Air Force One.
A rede de TV americana CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos, noticiou que a avaliação preliminar do incidente por Washington sugere que os Estados Unidos "provavelmente" foram responsáveis pelo ataque mortal — mas que o país não atacou a escola intencionalmente e pode tê-la atingido por erro.
Uma fonte do governo israelense contou à CBS News que Israel não estava por trás do ataque e que suas forças militares não estavam operando perto da escola.
O Irã culpou os Estados Unidos e Israel pelo ataque. Nenhum dos dois países aceitou nem negou responsabilidade pelo ocorrido.
A BBC pediu ao governo americano comentários sobre a avaliação do novo vídeo pelos especialistas.
A análise do vídeo pelo BBC Verify indica que uma clínica médica (que, segundo a imprensa iraniana, pertencia à marinha da Guarda Revolucionária) da base provavelmente foi atingida pelo míssil Tomahawk observado nas filmagens. A clínica fica a cerca de 200 metros da escola.
O grupo de investigações online Bellingcat, baseado na Holanda, foi o primeiro a analisar a filmagem.
O vídeo verificado mostra grandes nuvens de fumaça perto da escola antes que o míssil Tomahawk apareça.
As imagens sugerem que o prédio escolar tenha sido atingida antes que o míssil observado nas filmagens detonasse na base militar.
Esta conclusão coincide com a análise anterior do BBC Verify, de que a escola foi atingida praticamente ao mesmo tempo que os outros edifícios do complexo do CGRI adjacente.
Três especialistas identificaram o equipamento que aparece no vídeo como sendo um míssil Tomahawk americano.
Um analista sênior dos Serviços de Inteligência Mackenzie, de Londres, declarou que a arma do vídeo tem "todas as características de um Tomahawk americano na sua fase terminal".
O Tomahawk é uma espécie de míssil de cruzeiro de longo alcance que pode ser lançado de submarinos, navios e aviões. Ele faz parte do arsenal americano há décadas.
O analista de segurança nacional Wes Bryant, que serviu na Força Aérea dos Estados Unidos, também confirmou que se trata de um míssil Tomahawk.
Bryant destacou que as evidências de múltiplos ataques a todo o composto do CGRI indicam uma operação americana "deliberada e precisa".
O diretor da empresa de consultoria Armament Research Services, N. R. Jenzen Jones, declarou anteriormente ao BBC Verify que era improvável que a explosão de um míssil iraniano tivesse causado danos tão significativos quanto os observados na escola, pois eles carregam "ogivas explosivas relativamente pequenas".
O principal oficial das Forças Armadas americanas, o general Dan Caine, afirmou no dia 2 de março que os Tomahawks foram os primeiros mísseis a serem disparados contra o Irã pela marinha americana, como parte de "ataques em todo o flanco sul".
Em entrevista coletiva no dia 4 de março, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos exibiu um mapa ilustrativo com os ataques realizados nas primeiras 100 horas da guerra, mostrando que a área de Minab foi atacada.
O blackout da internet no Irã dificultou a verificação independente de detalhes do incidente. E as restrições à livre reportagem de jornalistas internacionais no Irã também torna muito difícil saber exatamente o que aconteceu em Minab, no dia 28 de fevereiro.