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Chefe do judiciário do Irã alerta que não haverá clemência para quem "ajuda o inimigo"

7 jan 2026 - 11h53
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O principal juiz do Irã alertou os manifestantes nesta quarta-feira que não haverá "nenhuma clemência para aqueles que ajudam o inimigo contra a República Islâmica", ao mesmo tempo em que acusou Israel e EUA de adotarem métodos híbridos para desestabilizar o país.

Teerã continua sob pressão internacional, com o presidente dos EUA, Donald Trump, ‌ameaçando auxiliar os manifestantes caso as forças de segurança atirem contra eles, sete meses após as forças israelenses e norte-americanas bombardearem instalações nucleares iranianas em ‌uma guerra de 12 dias.

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, prometeu não "ceder ao inimigo".

Os protestos atuais -- a maior onda de dissidência em três anos -- começaram no mês passado no Grande Bazar de Teerã, com lojistas condenando a queda livre da moeda. Desde então, a agitação se espalhou por todo o país em meio à crescente angústia com as dificuldades econômicas, incluindo a inflação galopante impulsionada pela má gestão e pelas sanções ocidentais.

"Após ‍os anúncios feitos por Israel e pelo presidente dos EUA, não há desculpa para aqueles que saem às ruas para promover tumultos e distúrbios", disse o presidente do Supremo Tribunal, Gholamhossein Mohseni Ejei, chefe do judiciário iraniano, segundo a mídia estatal.

"A partir de agora, não haverá clemência para quem ajudar o inimigo contra a República Islâmica e a paz do povo", acrescentou Ejei.

Pelo menos 27 pessoas ‌foram mortas e mais de 1.500 presas no Irã nos primeiros dez dias de protestos, sendo que ‌o oeste do país registrou o maior número de vítimas, de acordo com o grupo de direitos humanos curdo-iraniano Hengaw.

A HRANA, uma rede de ativistas de direitos humanos, relatou um número maior de mortos, de pelo menos 36 pessoas, bem como a prisão de pelo menos 2.076 pessoas.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente o número de vítimas ou os detalhes dos distúrbios relatados pela mídia iraniana e por grupos de direitos humanos.

As autoridades iranianas não divulgaram um número de mortos entre os manifestantes, mas afirmaram que pelo menos dois membros das forças de segurança morreram e mais de uma dúzia ficaram feridos.

HOMICÍDIOS EM PROVÍNCIAS

As províncias ocidentais do Irã -- que são economicamente marginalizadas e fortemente policiadas devido aos antigos surtos de agitação social e à localização estratégica para a defesa nacional -- têm testemunhado os protestos e a repressão mais violentos nos últimos tempos.

Manifestantes voltaram às ruas durante a noite na província ocidental de Ilam e distúrbios eclodiram, disse o grupo Hengaw.

O número de manifestantes mortos desde o final de dezembro foi contabilizado em pelo menos 20 nas províncias de Ilam, Lorestan, Kermanshah, Fars, Chaharmahal, Bakhtiari e Hamedan.

"Durante o funeral de duas pessoas em Malekshahi, na terça-feira, vários participantes começaram a entoar slogans agressivos e antissistema", disse a Fars, uma agência de notícias afiliada à Guarda Revolucionária do Irã.

Após o funeral, Fars afirmou que "cerca de 100 pessoas em luto saíram para a cidade e depredaram três bancos... Algumas começaram a atirar contra a polícia, que tentava dispersá-las".

Em Abdanan, cidade na província de Ilam, no sudoeste do país, uma grande multidão se ‌reuniu na noite de terça-feira e entoou slogans contra Khamenei, que puderam ser ouvidos em um vídeo compartilhado em um canal do Telegram chamado Nistemanijoan, com mais de 180 mil seguidores.

A agência de notícias semioficial Mehr informou que manifestantes invadiram um depósito de alimentos e esvaziaram sacos de arroz, um produto que tem sido afetado pela inflação galopante que tornou o acesso aos produtos básicos cada vez mais difícil para muitos iranianos.

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