Cessar-fogo 'incondicional' entre Tailândia e Camboja encerra escalada militar e crise diplomática
Os governos da Tailândia e do Camboja anunciaram nesta segunda-feira (28) um cessar-fogo imediato e incondicional, após quatro dias de intensos confrontos na fronteira entre os dois países. A decisão foi divulgada pelo primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que mediou as negociações em seu país, atual presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Os governos da Tailândia e do Camboja anunciaram nesta segunda-feira (28) um cessar-fogo imediato e incondicional, após quatro dias de intensos confrontos na fronteira entre os dois países. A decisão foi divulgada pelo primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que mediou as negociações em seu país, atual presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
O acordo entra em vigor à meia-noite e foi classificado como "definitivo" por Anwar, que apareceu ao lado dos líderes tailandês e cambojano. "Este é um passo essencial para restaurar a paz e a segurança na região", afirmou.
Desde o fim de maio, as tensões vinham crescendo após a morte de um soldado cambojano em um tiroteio na fronteira. As forças armadas de ambos os países reforçaram sua presença na região, agravando a crise.
Os confrontos recomeçaram na última quinta-feira e deixaram pelo menos 36 mortos, além de mais de 200 mil pessoas deslocadas.
O primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, celebrou o resultado das negociações. "Tivemos uma reunião produtiva e esperamos que este acordo permita retomar o diálogo bilateral e normalizar as relações", disse. Já o premiê interino da Tailândia, Phumtham Wechayachai, garantiu que o cessar-fogo será respeitado "de boa fé" por ambos os lados.
Conflito centenário
A disputa entre Tailândia e Camboja tem mais de um século. Em 1907, o então Reino de Sião (atual Tailândia) assinou acordos com a França, que exercia domínio colonial sobre o Camboja. Esses tratados definiram grande parte da fronteira atual, mas deixaram áreas indefinidas — especialmente em torno de templos históricos.
O principal foco da tensão é o templo Preah Vihear, construído entre os séculos 11 e 12 no alto de uma montanha. Em 1962, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) concedeu o templo ao Camboja, mas o acesso ao local, feito pelo lado tailandês, continua sendo motivo de disputa.
Em 2008, a inclusão do templo na lista de patrimônios mundiais da Unesco reacendeu o conflito, com novos confrontos e dezenas de mortes. Desde então, episódios de violência se repetem, com ambos os países recorrendo à justiça internacional.
A crise atual teve início em maio, com a morte de um soldado cambojano em uma área disputada. O Camboja suspendeu a importação de produtos tailandeses e voltou a acionar a CIJ, desta vez sobre quatro zonas de fronteira. A escalada culminou na expulsão de embaixadores, explosões de minas e retomada dos combates — agora interrompidos pelo novo acordo de cessar-fogo.
(RFI com AFP)