Casal admite furto de € 1,9 milhão de parquímetros na Alemanha
Durante dez anos, funcionário da prefeitura de cidade no sul da Alemanha levou para casa moedas que recolhia nos parquímetros como parte de seu trabalho, e ninguém percebeu.Um casal acusado de furtar milhões de euros de parquímetros no estado alemão da Baviera confessou os crimes no início de seu julgamento, nesta terça-feira (05/05).
O esquema na cidade de Kempten, na popular região turística do Allgäu, teria durado uma década e rendido cerca de 1,9 milhão de euros (R$ 11 milhões).
Quais são as acusações?
O réu, um ex-funcionário da prefeitura responsável pela coleta de moedas nos parquímetros durante o período investigado, admitiu ter furtado um total de 1,34 milhão de euros em 335 incidentes distintos entre 2020 e 2025, em conjunto com sua esposa.
Ele declarou que recolhia as moedas dos parquímetros, as colocava em sacos plásticos e as levava para casa. Em outros casos, sua esposa recolhia o dinheiro das máquinas.
"No início eram moedas, depois cofrinhos inteiros. O valor aumentou rapidamente", disse o réu. Ele alegou que sua esposa sabia de tudo desde o início e que, quando ele começou a expressar dúvidas sobre seus atos, ela o teria incentivado a continuar.
A esposa dele também confessou os crimes, mas negou ter incentivado o marido a furtar. Ela falou sobre a pressão psicológica causada pelos furtos. Além disso, alegou que só teria descoberto a origem de tantas moedas dois anos após o primeiro furto.
A acusação disse que ela se empenhou para depositar as moedas e envolveu outras pessoas para ocultar sua origem. Ela teria até mesmo perguntado num banco se depositar grandes quantias em moedas no caixa eletrônico não levantaria suspeitas.
Segundo os investigadores, ao longo dos anos foram depositadas 13 toneladas de moedas de euro em contas bancárias. O réu explicou que o casal não agiu sozinho: o ex-funcionário da prefeitura testemunhou que sua sogra, seu cunhado e uma terceira mulher também depositaram dinheiro em suas contas em troca de pagamento.
O réu declarou ao tribunal que não sobrou nada do dinheiro. "Nosso padrão de vida aumentou, e gastamos tudo em bens de luxo." Cavalos, carros e roupas caras foram mencionados no tribunal.
Caso veio à tona em novembro
Mais de 500 casos já prescreveram. No entanto, as autoridades buscam recuperar quase 584 mil euros relacionados a essas infrações, elevando o total que os promotores pretendem recuperar para cerca de 1,9 milhão de euros.
O caso veio à tona em novembro, depois que um banco alertou os investigadores sobre suspeita de lavagem de dinheiro. Um banco local também já havia questionado os depósitos frequentes de moedas, mas funcionários aceitaram as explicações evasivas do casal.
A cidade de Kempten criou uma comissão para investigar como o réu conseguiu desviar o dinheiro sem ser detectado por tanto tempo. Num relatório preliminar, a comissão identificou o serviço de manutenção dos parquímetros como uma possível vulnerabilidade, já que ela era realizado por um único funcionário, diferentemente do esvaziamento dos parquímetros. Essa avaliação foi confirmada pelo réu em seu depoimento no tribunal: ele afirmou que costumava ir sozinho aos parquímetros com defeito.
Ele também disse que, se nenhum colega estivesse disponível, esvaziava os parquímetros sozinho, e que todos os funcionários da prefeitura tinham acesso à chave para abrir os cofrinhos. "Há um número desconhecido delas em circulação", afirmou.
Colegas do réu falaram sobre uma abordagem negligente em relação ao esvaziamento e à documentação dos procedimentos relacionados aos parquímetros. Por exemplo, não havia documentação do número sequencial do recibo do parquímetro.
Está agendado mais um dia de audiências para o julgamento, com o veredicto previsto para esta quinta-feira. Como resultado da investigação, a cidade de Kempten alterou seu sistema de gestão de estacionamento. As fechaduras foram substituídas, controles adicionais foram implementados e um prestador de serviços externo foi contratado.
as/md (DPA, OTS)
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