Carney está pronto para 'dialogar' com Trump sobre tarifaço de 50%
Após Brasil e Canadá, EUA visam taxar outros países esta semana, diz mídia
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou estar "pronto" para negociar com o governo de Donald Trump após a Casa Branca anunciar, na segunda-feira (20), "tarifas adicionais de 50% sobre produtos importados" do país vizinho.
A decisão consta em uma ordem executiva assinada por Trump "em resposta ao tratamento discriminatório que o Canadá dispensa aos produtos americanos", citando disputas comerciais relacionadas a laticínios, bebidas alcoólicas e automóveis.
As novas medidas, que entrarão em vigor em um mês, serão aplicadas a produtos como vinho, tacos de hóquei e cimento, além de afetar mercadorias que entram nos EUA ao abrigo do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (Usmca).
"Reconhecendo que os EUA transformaram todas as suas relações comerciais nos últimos 18 meses, incluindo aquelas no âmbito do Usmca, o Canadá traz uma série de propostas detalhadas e abrangentes para resolver a disputa e modernizar o acordo", declarou Carney logo após o anúncio da taxação americana.
"Estamos prontos para intensificar as discussões nas próximas semanas", reforçou o premiê, acrescentando que Ottawa "acredita nos benefícios do comércio livre e justo, como demonstrado pela assinatura, por parte do nosso novo governo, de mais de 20 novas parcerias econômicas e de segurança".
"O Canadá está pronto para trabalhar arduamente na resolução das questões pendentes com os EUA, em benefício mútuo de nossos cidadãos", concluiu Carney.
Depois de impor tarifas de 25% contra o Brasil e de 50% contra o Canadá, Trump não quer parar por aí: segundo o Financial Times, o republicano quer taxar vários outros países ainda esta semana, apesar dos alertas de seus assessores de que tal medida poderá gerar conflitos internos às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro.
Segundo o FT, as tarifas que poderão ser anunciadas nesta semana variam de 10% a 12,5% e abrangem 60 países, com a justificativa de "práticas de trabalho forçado", tendo sido propostas por autoridades comerciais americanas em junho.
Washington iniciou a investigação, conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, em março, paralelamente a outra apuração sobre o excesso de capacidade produtiva, e realizou audiências públicas sobre suas propostas.
Essa averiguação abrange a União Europeia, China, Cingapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia.
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