Brasileira oferece recompensa para localizar filho desaparecido no Egito
Karin Rachel Aranha desabafou em publicação no Instagram após pai levar criança sem o consentimento da mulher
A brasileira Karin Rachel Aranha Toledo passou a oferecer uma recompensa de 10 mil libras egípcias por informações sobre o paradeiro do filho, Adam, levado ao Egito pelo pai sem autorização em 2022. Sem ver o menino há três anos, ela segue no país africano mesmo após conquistar judicialmente a guarda da criança.
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A recompensa começou a ser divulgada na sexta-feira, 20, após duas tentativas frustradas de localizar o menino. O valor, oferecido com apoio de uma seguidora, é superior ao salário mínimo local e equivale a cerca de R$ 1 mil.
Paralelamente, a defesa de Karin pediu à Justiça Federal de São Paulo a quebra de sigilo telefônico, telemático e de e-mails do pai da criança, Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkaleg. A medida busca permitir o rastreamento do homem, que, segundo peritos, pode estar usando linhas registradas em nome de terceiros para dificultar sua localização.
Natural de Campinas, Karin vivia em Valinhos (SP) com o filho e o então marido. Em setembro de 2022, ao retornar de uma viagem, descobriu que o companheiro havia levado a criança para o Egito sem aviso. O caso foi investigado pela Polícia Federal, e a Justiça brasileira chegou a decretar a prisão preventiva do pai em 2023, mas ele não foi localizado.
Já no Egito, Karin ingressou com uma ação judicial e, em novembro de 2025, obteve decisão favorável do Tribunal de Apelações do Cairo, que lhe concedeu a guarda do filho. A sentença reverteu entendimento anterior e classificou como infundadas as acusações feitas contra ela pela família paterna, determinando inclusive o uso de força para garantir o cumprimento da decisão, se necessário.
Apesar disso, a defesa afirma que há dificuldades na execução das ordens judiciais. Segundo o advogado Rafael Paiva, o pai estaria sendo avisado previamente sobre diligências, o que compromete as buscas.
Após tentativas sem sucesso na casa dele e da avó paterna, a equipe jurídica apresentou queixa contra ambos por se recusarem a entregar o menino.
Em desabafo recente, Karin afirmou estar esgotada com a falta de respostas das autoridades. “Ninguém está aguentando mais tanta negligência. Dos dois lados, daqui e do Brasil também. Ninguém me dá posicionamento de nada. Tudo lento, cansativo, e absurdo”, disse. Ela segue mobilizando redes sociais e campanhas para tentar localizar o filho e viabilizar sua volta.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil no Cairo, informou que tem conhecimento e acompanha o caso desde que foi notificado a respeito, em 2022. Desde então, a Embaixada vem prestando assistência consular ao menor nacional e à sua família, e mantém contato regular com as autoridades egípcias a respeito do tema.
A atuação do Itamaraty no caso envolve conversas de alto nível mantidas pelo Embaixador do Brasil no Cairo, Paulino de Carvalho, e pelo próprio Ministro Mauro Vieira com suas contrapartes locais. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional.
"Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros", acrescentou a pasta.