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Bloqueio do Estreito de Ormuz expõe vulnerabilidade energética da China e estratégia adotada por Pequim

O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, passagem estratégica do petróleo mundial, abala os mercados e reacende as preocupações com a segurança energética. Para a China, maior importadora de petróleo bruto do mundo, o impacto é imediato — em um contexto em que "a ordem do comércio mundial e a segurança energética" estão sob forte pressão.

27 mar 2026 - 11h54
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Cléa Broadhurst, correspondente da RFI em Pequim

Vista do conjunto do porto de Lianyungang, na província de Jiangsu, no leste da China, em 27 de março de 2026.
Vista do conjunto do porto de Lianyungang, na província de Jiangsu, no leste da China, em 27 de março de 2026.
Foto: © AFP / RFI

O Estreito de Ormuz concentra uma parte essencial dos fluxos energéticos globais. Sua paralisação vai muito além da questão do petróleo.

"Na realidade, todo mundo é afetado. Todos os países, sem exceção", afirma Wang Yiwei, professor da Escola de Relações Internacionais da Universidade do Povo da China. Segundo ele, a crise atinge simultaneamente importadores e exportadores e coloca todo o sistema sob tensão: "a ordem do comércio mundial e a segurança energética enfrentam grandes desafios".

A alta dos custos de seguro, a perturbação das rotas marítimas e as incertezas para a indústria mostram que o choque é, ao mesmo tempo, energético, comercial e financeiro.

Altamente dependente das importações de hidrocarbonetos, a China está particularmente exposta. O Golfo continua sendo um fornecedor-chave, e qualquer interrupção prolongada tem efeitos imediatos sobre sua economia. "Países muito dependentes de energia importada, como a China, são inevitavelmente afetados", explica Wang Yiwei.

Oriente Médio é elo central que une continentes

A Nova Rota da Seda também enfrenta dificuldades. O Oriente Médio permanece um elo central — "um hub que conecta África, Ásia e Europa", lembra o especialista. Pequim multiplicou investimentos na região, especialmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Mais do que projetos, está em jogo a estabilidade desse espaço estratégico.

A China dispõe de mais de 100 dias de reservas estratégicas de petróleo, o que ajuda a amortecer o choque no curto prazo. Mas essa proteção tem limites. "Se o bloqueio se prolongar, o impacto será inevitável", alerta Wang Yiwei.

Os primeiros setores atingidos são os segmentos finais da cadeia produtiva, como a petroquímica e o refino — áreas centrais do aparelho industrial chinês, diretamente dependentes de derivados de petróleo e gás. Empresas privadas e locais, menos protegidas que grandes grupos estatais, estão particularmente expostas. "O choque já é significativo e começa a ser sentido", afirma.

Pequim se preparou

Ainda assim, Pequim entra na crise mais preparada do que no passado. "A segurança energética da China é hoje muito mais sólida", assegura Wang Yiwei.

A dependência de importações caiu de mais de 70% para menos de 50%. O país também diversificou fornecedores e rotas, combinando transporte marítimo e terrestre, especialmente por oleodutos. Hoje, importa energia de regiões diversas — da Ásia Central à África e à América Latina.

O avanço das energias renováveis também contribuiu para amortecer o impacto nos últimos anos. Nesse contexto, a China mantém cautela em relação ao Irã, no centro da crise. Apesar de acordos anunciados, os investimentos chineses no país permanecem limitados.

"O Irã sempre foi uma fonte de instabilidade, e a China tem sido muito prudente", afirma Wang Yiwei. Entre sanções americanas e desconfiança mútua, Pequim priorizou investimentos em outros países do Golfo.

Mais do que econômica, a crise revela os equilíbrios geopolíticos da região. "A China é antes de tudo uma potência econômica. Não possui um sistema de alianças como os Estados Unidos", observa o especialista.

Forma-se, assim, um equilíbrio delicado: a segurança depende dos Estados Unidos, enquanto a economia depende da China. Mas esse equilíbrio está fragilizado. Diante da incerteza, alguns países podem buscar diversificar suas parcerias.

Para Pequim, a resposta permanece a mesma: diálogo e estabilidade. "A China privilegia negociações pacíficas, pois é um ator econômico e um investidor", explica. E, nesse cenário complexo, a crise também pode abrir novas frentes. "As crises também podem criar oportunidades", conclui Wang Yiwei.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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