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Biden cita ajuda em mudanças climáticas em países emergentes

Na Assembleia-Geral da ONU, presidente falou em tornar os Estados Unidos líderes no financiamento público sobre o clima

21 set 2021 11h54
| atualizado às 12h38
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21/09/2021
REUTERS/Kevin Lamarque
21/09/2021 REUTERS/Kevin Lamarque
Foto: Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta terça-feira, 21, em discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que trabalhará com o Congresso norte-americano para dobrar os recursos para ajudar países em desenvolvimento com a mudança climática.

"Em abril, anunciei que os Estados Unidos dobrarão nosso financiamento público internacional para ajudar países em desenvolvimento no combate à crise climática", discursou na sede da entidade, em Nova York.

"Hoje, estou orgulhoso em anunciar que trabalharemos com o Congresso para dobrar este número novamente, incluindo para esforços de adaptação, para tornar os Estados Unidos líderes no financiamento público sobre o clima", acrescentou o chefe do Executivo norte-americano a uma plateia de líderes mundiais.

União

Em um longo discurso, Joe Biden defendeu que o mundo trabalhe "unido" para enfrentar a pandemia de covid-19 e as mudanças climáticas. Citando que essa será uma "década decisiva" para o futuro da humanidade, o mandatário fez uma série de perguntas sobre como o mundo deve agir a partir de agora.

"Será que vamos lutar juntos para salvar as vidas e derrotar a covid-19? Vamos nos unir para acabar com a pandemia e com as demais que virão? Será que vamos usar as ferramentas que estão nas nossas mãos?", questionou.

Lamentando as mais de 4,5 milhões de mortes provocadas pela doença, Biden ressaltou que há uma "grande oportunidade" para que todos os países trabalhem unidos. Segundo o mandatário, o mundo está "em um ponto de inflexão" e é preciso ressaltar os direitos humanos universais que são a base da criação da ONU.

Após essa introdução, Biden começou a citar vários países e conflitos, dizendo que é o momento de "ao invés de lutar as guerras do passado, seguir adiante para o futuro".

"Encerramos 20 anos de conflito no Afeganistão e esperamos que uma nova era da diplomacia se apresente. Usando nosso poder para investir na defesa da democracia, não importa o tamanho dos problemas que enfrentamos: os governos pelo e para o povo são a melhor forma de liderar", acrescentou.

Biden afirmou ainda que a solução militar deve ser a última opção. "O poder militar precisa ser nossa última ferramenta a ser utilizada e não pode ser utilizada como resposta a todos os problemas que vemos no mundo. A maior parte dos nossos problemas não podem ser resolvidos a bala. A Covid-19, por exemplo, não é resolvida com balas", pontuou.

Parcerias internacionais

Grande parte do discurso foi focado em ressaltar que seu governo está "reconstruindo alianças" com diversos países, em relações que haviam sido muito afetadas durante o governo de seu antecessor, Donald Trump.

"A verdade fundamental é que, em cada um de nossos países, o nosso sucesso tem a ver com o sucesso dos outros países. Precisamos trabalhar juntos porque nossas liberdades são interconectadas. Precisamos trabalhar juntos como nunca aconteceu antes. Dei prioridade à reconstrução de nossas alianças, que são essenciais para a prosperidade dos EUA também", disse ainda.

Citando que a questão "indo-pacífica" é cada vez mais importante, Biden citou como primeiro aliado e parceiro "fundamental" a União Europeia, em um relação que está estremecida, especialmente com a França, desde a última semana quando Washington anunciou um acordo com Reino Unido e Austrália.

Também citou aliados em todas as partes do mundo, nominalmente, australianos e japoneses.

Crise climática 

Dizendo que os EUA querem ser os líderes mundiais na luta contra a devastação causada pelas mudanças climáticas, Biden pediu que os políticos "construam algo melhor para nosso futuro".

"A morte e devastação causada por eventos climáticos em todos os locais do mundo [...] tem muito a ver com que António Guterres [secretário-geral da ONU] disse ser um sinal vermelho de alerta. Os cientistas ainda nos alertam que estamos chegando a um ponto sem volta no clima. Todos os países precisam assumir as responsabilidades na mesa de negociações de Glasgow em novembro", acrescentou referindo-se à reunião da COP26.

Biden ainda citou os investimentos internos e externos que seu governo está fazendo - e pretende fazer - para investir "em infraestrutura verde e carros elétricos". O presidente afirmou que, além de ajudar a atingir as metas climáticas e os compromissos formais firmados pelos EUA, isso é uma "chance de investir em si mesmo, criar novos empregos e garantir um crescimento sustentável no futuro".

Rapidamente citado, o democrata defendeu a soberania de Israel, mas disse que defende a solução de dois Estados com os palestinos, em um situação "que está distante da realidade".

Rivais internacionais 

Sem citar diretamente os nomes dos países rivais, Rússia e China, Biden dedicou grande parte do discurso a falar sobre as ameaças cibernéticas e sobre garantias para os cidadãos terem seus direitos respeitados na esfera digital.

Dizendo que seu governo está aberto "para conversar com todos", o democrata rebateu uma frase comumente usada pelo governo chinês contra Washington. "Não estamos buscando uma nova guerra fria, com o mundo dividido em blocos regionais. Os EUA estão prontos para trabalhar com qualquer país mesmo com discordâncias graves em várias áreas. Nós precisamos trabalhar juntos", disse rebatendo os chineses e russos.

Já o Irã foi citado nominalmente. Biden afirmou que seu país "está pronto" para "voltar a respeitar o acordo nuclear", firmado em 2015 e que Trump saiu em 2018, "se o Irã fizer o mesmo".

Desde que assumiu a Presidência, a diplomacia norte-americana está em conversas com outros aliados do Conselho de Segurança da ONU e da União Europeia para retornar ao pacto nuclear.

Biden também citou a desnuclearização da província coreana, dizendo que seu governo busca um acordo entre as Coreias do Norte e do Sul para "aumentar a estabilidade na região".

O mandatário voltou a citar o Afeganistão ao ressaltar que é o primeiro presidente dos EUA que discursa na ONU sem o país estar em guerra em 20 anos e que esse é o sinal para o futuro. Com isso, ele citou as ameaças terroristas e lembrou do atentado cometido no aeroporto de Cabul durante a evacuação das tropas ocidentais.

"O mundo de hoje não é o mundo de 2001. Os EUA não são os mesmos daquele ano. Nós temos como responder essa ameaça, sabemos como repelir os grupos terroristas, sabemos como evitar que eles tenham financiamento, e trabalhando em cooperação nós não precisamos confiar apenas em deslocamentos militares", acrescentou.

O democrata também afirmou que seu governo está preparado para enfrentar o terrorismo "que venha de locais distantes do mundo ou que esteja em nossos jardins", citando os recentes atos de extremistas de direita e de supremacia branca.

* Com informações da Ansa

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