Ativistas de flotilha de ajuda a Gaza são levados a Creta após interceptação israelense, brasileiro e espanhol são detidos
Mais de 100 ativistas pró-palestinos a bordo de navios de ajuda humanitária com destino a Gaza foram levados para a ilha grega de Creta nesta sexta-feira, depois que forças israelenses apreenderam suas embarcações em águas internacionais perto da Grécia, informaram os organizadores da flotilha.
Os ativistas fazem parte de uma segunda flotilha da Global Sumud, lançada nos últimos meses em uma tentativa de romper o bloqueio israelense a Gaza por meio da entrega de assistência humanitária. Os navios zarparam do porto espanhol de Barcelona em 12 de abril.
Nesta sexta-feira, um navio das Forças Armadas israelenses transferiu 168 membros da tripulação da flotilha para barcos gregos, que os levaram para a costa, onde ônibus e uma ambulância os aguardavam, disseram os organizadores e mostraram imagens da Reuters.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel chamou os organizadores da flotilha de "provocadores profissionais".
ATIVISTAS DETIDOS
Dois ativistas foram detidos pelas autoridades israelenses, segundo comunicados de Israel e dos organizadores da flotilha, que os identificaram como Saif Abu Keshek, cidadão espanhol de origem palestina, e o brasileiro Thiago Ávila.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou comunicado conjunto com a Espanha em que pedem que o governo de Israel garanta o retorno imediato de ambos, com plenas garantias de sua segurança, e a conceder acesso consular para sua assistência e proteção.
"Essa ação flagrantemente ilegal das autoridades israelenses, fora de sua jurisdição, constitui uma afronta ao direito internacional, está sujeita à apreciação por tribunais internacionais e equivale a um crime segundo as respectivas jurisdições de nossos países", disse o comunicado.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que Abu Keshek é suspeito de ligação com uma organização terrorista e que Ávila é suspeito de atividade ilegal, acrescentando que ambos seriam levados a Israel para interrogatório.
Em uma publicação em seu canal no Telegram, os organizadores da flotilha alegaram que os ativistas foram privados de comida e água adequadas e "forçados a dormir em pisos que eram deliberada e repetidamente alagados" a bordo de um navio da Marinha israelense, descrevendo o tratamento como "40 horas de crueldade calculada".
Segundo o comunicado, alguns sofreram ferimentos, incluindo narizes quebrados e costelas trincadas, ao serem chutados e arrastados pelo convés com as mãos amarradas depois de tentarem protestar contra a detenção de seus dois colegas ativistas.
Não houve comentário imediato de Israel sobre as alegações de maus-tratos.
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