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Ativistas de flotilha de ajuda a Gaza são levados a Creta após interceptação israelense, brasileiro e espanhol são detidos

1 mai 2026 - 11h03
(atualizado às 13h33)
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Mais de 100 ativistas pró-palestinos ‌a bordo de navios de ajuda humanitária com destino a Gaza foram levados para a ilha grega de Creta nesta sexta-feira, depois que forças israelenses apreenderam suas embarcações em águas internacionais perto da Grécia, informaram os organizadores da flotilha.

Os ativistas fazem parte de uma segunda ⁠flotilha da Global Sumud, lançada nos últimos meses em uma tentativa de ‌romper o bloqueio israelense a Gaza por meio da entrega de assistência humanitária. Os navios zarparam do porto espanhol de Barcelona em ‌12 de abril.

Nesta sexta-feira, um navio das ‌Forças Armadas israelenses transferiu 168 membros da tripulação da ⁠flotilha para barcos gregos, que os levaram para a costa, onde ônibus e uma ambulância os aguardavam, disseram os organizadores e mostraram imagens da Reuters.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel chamou os organizadores da flotilha de "provocadores profissionais".

ATIVISTAS DETIDOS

Dois ativistas foram detidos pelas autoridades israelenses, segundo ‌comunicados de Israel e dos organizadores da flotilha, que os identificaram como ‌Saif Abu Keshek, cidadão ⁠espanhol de origem ⁠palestina, e o brasileiro Thiago Ávila.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou ⁠comunicado conjunto com a Espanha ‌em que pedem que o ‌governo de Israel garanta o retorno imediato de ambos, com plenas garantias de sua segurança, e a conceder acesso consular para sua assistência e proteção.

"Essa ação flagrantemente ilegal das autoridades israelenses, ⁠fora de sua jurisdição, constitui uma afronta ao direito internacional, está sujeita à apreciação por tribunais internacionais e equivale a um crime segundo as respectivas jurisdições de nossos países", disse o comunicado.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou ‌que Abu Keshek é suspeito de ligação com uma organização terrorista e que Ávila é suspeito de atividade ilegal, acrescentando que ambos ⁠seriam levados a Israel para interrogatório.

Em uma publicação em seu canal no Telegram, os organizadores da flotilha alegaram que os ativistas foram privados de comida e água adequadas e "forçados a dormir em pisos que eram deliberada e repetidamente alagados" a bordo de um navio da Marinha israelense, descrevendo o tratamento como "40 horas de crueldade calculada".

Segundo o comunicado, alguns sofreram ferimentos, incluindo narizes quebrados e costelas trincadas, ao serem chutados e arrastados pelo convés com as mãos amarradas depois de tentarem protestar contra a detenção de seus dois colegas ativistas.

Não houve comentário imediato de Israel sobre as alegações de maus-tratos.

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