Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Ataques houthis colocam infraestruturas sauditas 'à prova'; aeroporto de Riade segue fechado

Conflito entre os houthis, as forças governamentais iemenitas e a Arábia Saudita foi retomado em julho e se intensificou em setembro

12 out 2026 - 07h53
(atualizado às 08h18)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Ataques sem precedentes dos rebeldes houthis contra infraestruturas energéticas e aeroportos na Arábia Saudita expuseram fragilidades defensivas de Riade e forçaram a prorrogação do fechamento do Aeroporto Internacional King Khalid, após bombardeios deixarem dezenas de vítimas. A escalada do conflito, intensificada pelo controle houthi de rotas estratégicas de petróleo, ameaça a segurança energética regional e provocou manifestações de profunda preocupação por parte de Irã e China.
Ataque ao Aeroporto de Riade deixou pelo menos 13 mortos e 309 feridos no sábado (10)
Ataque ao Aeroporto de Riade deixou pelo menos 13 mortos e 309 feridos no sábado (10)
Foto: Reprodução/X/Al Arabiya English

O Ministério da Energia da Arábia Saudita reconheceu nesta segunda-feira (12) que as infraestruturas do país estão "sendo colocadas à prova" após a série de ataques mortais dos houthis do Iêmen, especialmente contra o aeroporto de Riade. O governo prometeu uma "resposta firme".

"Para a Arábia Saudita, essas circunstâncias colocaram à prova nossas infraestruturas, nossas instituições, nossas equipes e nossa resiliência", declarou o ministro Abdulaziz bin Salman, que falou durante uma conferência sobre energia em Riade. Ele advertiu que a segurança energética não pode ser vista como algo garantido no contexto da guerra no Oriente Médio. 

O conflito entre os houthis, as forças governamentais iemenitas e a Arábia Saudita, que apoia militarmente estas últimas no Iêmen, foi retomado em julho e se intensificou em setembro. Mas a dimensão dos ataques contra o reino atingiu nos últimos dias um nível sem precedentes, revelando as fragilidades defensivas da Arábia Saudita, que, ainda assim, investe somas consideráveis em equipamentos militares de ponta. 

Os houthis do Iêmen reivindicaram neste domingo (11) bombardeios contra aeroportos e infraestruturas energéticas sauditas após uma série de ataques. Pelo menos uma pessoa morreu e cerca de dez ficaram feridas, segundo a Autoridade Saudita de Aviação Civil. 

O fechamento do aeroporto, alvo de um ataque que deixou pelo menos 13 mortos e 309 feridos no sábado (10), foi prorrogado nesta segunda-feira. 

A  Autoridade Geral de Aviação Civil informou, em comunicado, que a suspensão das operações no Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade, foi prorrogada para permitir a conclusão dos procedimentos necessários de verificação da segurança das instalações e de sua capacidade operacional. O órgão não especificou uma data para a retomada das atividades no terminal.

Nesta segunda, a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que combate os houthis no Iêmen, também anunciou ter abatido um drone no leste do país. Um míssil balístico houthi também foi interceptado quando se dirigia para Khamis Mushait, cidade que abriga uma importante base militar no sul da Arábia Saudita, informou o porta-voz militar dos houthis. 

Esta é a pior série de ataques contra Riade desde o início, em 2014, da guerra no Iêmen entre os houthis e as forças apoiadas, desde 2015, por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. 

Irã e China "preocupados com conflito"

O Irã, aliado dos houthis do Iêmen, manifestou nesta segunda-feira sua "profunda preocupação" após os ataques mortais lançados pelos rebeldes contra o aeroporto de Riade e outras regiões da Arábia Saudita. 

"Estamos profundamente preocupados com a evolução da situação na Península Arábica", declarou à imprensa o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, sem condenar os ataques. Ele acrescentou que Teerã está disposto a "facilitar o diálogo entre as partes" envolvidas no conflito. 

A China "condenou" nesta segunda-feira os ataques mortais realizados nos últimos dias pelos houthis contra aeroportos e infraestruturas energéticas sauditas e expressou sua "grave preocupação com o agravamento do conflito". 

"Convocamos as partes envolvidas a evitar qualquer ação que possa aumentar as tensões regionais, a resolver suas divergências por meio do diálogo e da negociação e a alcançar o mais rapidamente possível a paz e a estabilidade na região", afirmou à imprensa Mao Ning, porta-voz da diplomacia chinesa. 

"Desde o início da agressão contra os países do Golfo Pérsico, baseada no erro de avaliação do agressor, que os considera o elo mais fraco de uma guerra que buscamos evitar, tornou-se evidente que todos nós somos alvos", escreveu no X o conselheiro diplomático do presidente dos Emirados, Anwar Gargash. 

"É necessário relançar a ação conjunta dos países do Golfo, especialmente nos campos da segurança e da defesa, e reforçar o sistema de segurança coletiva", acrescentou, avaliando que "as graves falhas observadas nessa área incentivaram outros a nos atacar". 

"Os civis não têm mais esperança" 

A província de Marib, no centro do Iêmen, é um dos principais focos dos combates. As reservas de hidrocarbonetos da região interessam tanto às forças ligadas ao governo reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade quanto aos houthis. 

Esse reduto governista também recebeu a maior parte dos cerca de 200 mil deslocados internos, agravando uma situação econômica já crítica. Após uma ofensiva-relâmpago no início de setembro, a milícia houthi tomou o controle do estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica para as exportações de petróleo saudita em direção à Europa. 

A medida desagradou a Arábia Saudita, que pressionou o governo iemenita a retomar a guerra contra os houthis, apesar do cessar-fogo firmado em 2022. Sob ataques aéreos sauditas, os houthis declararam o espaço aéreo saudita fechado e iniciaram a campanha de bombardeios contra aeroportos observada nas últimas semanas, especialmente em Riade. 

Embora as autoridades tenham tentado minimizar a escalada do conflito, a população começou a perceber a gravidade da situação após as primeiras mortes e o elevado número de feridos registrados nos hospitais nos últimos dias.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra