Turquia, Paquistão e Arábia Saudita ativam acordo militar para apoiar ofensiva contra houthis no Iêmen
Os rebeldes houthis reivindicaram novos ataques contra a Arábia Saudita, incluindo contra o aeroporto internacional de Riad, enquanto negaram nesta terça-feira (6) ter perdido terreno para as forças do governo do Iêmen, que conduzem uma ampla contraofensiva no país. Diante da escalada dos ataques houthis, a Arábia Saudita acionou um acordo de defesa mútua com a Turquia e o Paquistão, pela primeira vez desde a assinatura do pacto, em agosto.
Diante da escalada do conflito no Iêmen e de ataques diretos contra seu território, a Arábia Saudita ativou pela primeira vez um pacto de defesa mútua com Turquia e Paquistão, que enviarão tropas e recursos militares. A aliança inédita visa conter o avanço dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, que disputam áreas estratégicas no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb, enquanto forças governamentais realizam bombardeios e tentam retomar o controle de regiões vitais para o comércio marítimo.
O conflito, que voltou a se intensificar em julho após anos de relativa calmaria, ganhou um novo capítulo no início de setembro, quando os houthis, apoiados pelo Irã, avançaram rapidamente sobre a costa iemenita do Mar Vermelho e reforçaram seu controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica do comércio marítimo mundial, conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico.
Nos últimos dias, as forças do governo iemenita, reconhecido internacionalmente, afirmaram ter recuperado áreas estratégicas com apoio aéreo da Arábia Saudita na operação batizada de "Amanhecer do Iêmen".
Os houthis contestam essa versão. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que os rebeldes mantêm "controle total" sobre as áreas conquistadas. Fontes militares dos dois lados, porém, não relataram mudanças significativas nas linhas de frente.
Ataques contra a Arábia Saudita
Em território saudita, os rebeldes afirmam ter lançado drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro contra o aeroporto de Riad. Moradores relataram explosões na capital, enquanto autoridades da aviação civil saudita confirmaram ataques contra aeroportos no sul do país, deixando três feridos leves e causando danos materiais.
"Vi minhas janelas tremerem", relatou na noite de segunda-feira (5) um morador da capital saudita que vive próximo ao local. Uma nova explosão também foi ouvida nesta terça-feira na região norte da cidade, segundo residentes.
Os houthis também declararam que o espaço aéreo saudita não é mais "seguro", com exceção das cidades sagradas de Medina e Meca, para a aviação comercial, e afirmaram ter atacado uma refinaria da Aramco às margens do Mar Vermelho. A Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita não comentou os ataques em Riad, cujo aeroporto enfrenta fechamentos temporários quase diários do espaço aéreo, segundo dados do site Flightradar24.
O órgão confirmou, no entanto, ataques contra outros aeroportos no sul do reino, que deixaram três feridos leves e causaram danos materiais.
Aliança inédita entra em ação
No Iêmen, país mais pobre da Península Arábica e mergulhado em uma grave crise humanitária, os combates se intensificaram nas últimas horas.
O governo informou ter realizado mais de mil bombardeios e lançado uma ofensiva em direção à capital Sanaa, controlada pelos houthis desde 2015. As forças governamentais também afirmam ter avançado na região de Taiz e dizem ter expulsado os houthis da área de Bab el-Mandeb e da cidade portuária de Mokha, tomada pelos rebeldes no mês passado.
A importância estratégica de Bab el-Mandeb aumentou depois que o Irã fechou o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica, após o início da guerra no Oriente Médio em fevereiro.
Diante da escalada da violência e da dificuldade para conter os houthis, Riad e seus aliados vinham pedindo apoio internacional nas últimas semanas, especialmente aos Estados Unidos, sem sucesso. Com isso, Turquia, Paquistão e Arábia Saudita decidiram colocar em prática um acordo de defesa mútua assinado em agosto, em Meca. Após uma reunião em Riad, os três países anunciaram o envio de tropas e meios militares para reforçar a segurança do reino saudita.
É a primeira vez que o pacto é acionado. O acordo reúne a Turquia, que possui o segundo maior exército da Otan, a Arábia Saudita, principal potência árabe do Golfo, e o Paquistão, único país de maioria muçulmana com armas nucleares.
Com AFP
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