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Ataques a redes de água triplicam em zonas de conflito; Gaza e Burkina Faso estão entre as mais afetadas

O número de ataques que danificaram ou destruíram sistemas de abastecimento de água e saneamento em zonas de conflito triplicou entre 2021 e 2025, segundo um relatório do Unicef, divulgado nesta quinta-feira (5). A agência da ONU alerta que esses ataques expõem ainda mais as crianças a epidemias, à desnutrição e à violência.

5 nov 2026 - 14h06
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Resumo
Um relatório do Unicef revela que os ataques a redes de água triplicaram em zonas de conflito, tornando-se mais frequentes e diversificados. A destruição afeta gravemente locais como Burkina Faso e Gaza, além de campos de refugiados no Chade, onde a escassez causou surtos de hepatite E e vitimou crianças em filas de abastecimento. Diante do cenário crítico, a entidade exige a proteção dessas infraestruturas vitais e o livre acesso humanitário garantidos pelo direito internacional.

Realizado em 23 países e territórios entre janeiro de 2021 e junho de 2026, o relatório destaca a multiplicação dos ataques, que se tornaram mais frequentes, mais diversificados e atingem áreas geográficas cada vez mais amplas em todo o mundo.  

Palestinos deslocados se reúnem para buscar água em uma cisterna em um campo de refugiados em Bureij, na região central da Faixa de Gaza, em 24 de agosto de 2026.
Palestinos deslocados se reúnem para buscar água em uma cisterna em um campo de refugiados em Bureij, na região central da Faixa de Gaza, em 24 de agosto de 2026.
Foto: AFP - EYAD BABA / RFI

"Os trabalhadores humanitários fazem tudo o que podem para manter o abastecimento de água apesar da multiplicação dos ataques. No entanto, os reparos não podem substituir a proteção dessas instalações, exigida pelo direito internacional humanitário", afirmou Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef.  

O relatório menciona sete tipos de ataques, entre eles bombardeios contra estações de tratamento, tubulações e poços, contaminação de fontes de água e restrições ao acesso a peças de reposição e produtos químicos necessários para o tratamento da água.

Burkina Faso e Gaza 

O Unicef cita o caso de Burkina Faso, onde mais de 145 pontos de abastecimento de água foram destruídos em ataques entre 2020 e 2025. Segundo o relatório, cerca de 830 mil pessoas ficaram sem acesso à água, mais da metade delas crianças.  

A situação também preocupa em Gaza. Desde outubro de 2023, mais de 130 quilômetros de tubulações de esgoto foram danificados no território palestino.  

Nos campos de refugiados do leste do Chade que acolhem pessoas que fugiram da guerra no Sudão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) associou um surto de hepatite E à falta de acesso à água potável e ao saneamento. Metade dos 2.092 casos suspeitos registrados entre janeiro e abril de 2024 envolvia crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.  

O relatório também documenta casos de crianças mortas, feridas ou vítimas de outros tipos de violência enquanto aguardavam em filas para buscar água, incluindo diversos episódios registrados em Gaza.  

Apelo por proteção 

Diante desse cenário, o Unicef pede a todas as partes envolvidas em conflitos, bem como a governos, financiadores e organizações humanitárias, que considerem os sistemas de abastecimento de água, saneamento e higiene em áreas de conflito como infraestruturas indispensáveis à sobrevivência da população civil, especialmente das crianças. 

A agência também defende que seja garantido acesso seguro, rápido e sem restrições para trabalhadores humanitários e para o transporte de equipamentos e insumos essenciais ao funcionamento dos sistemas de água e energia.  

Com Franceinfo

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