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Ataque paquistanês contra hospital em Cabul deixa pelo menos 400 mortos, segundo autoridades afegãs

A tensão aumentou ainda mais entre Afeganistão e Paquistão depois de um ataque paquistanês contra uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Cabul, capital afegã, na noite de segunda-feira (16). De acordo com o governo do Afeganistão, pelo menos 400 pessoas morreram no ataque. A informação foi desmentida pela capital Islamabad.

17 mar 2026 - 11h15
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O exército paquistanês bombardeou a capital afegã Cabul durante a noite de segunda-feira e madrugada de terça. "O balanço não é definitivo. As operações de busca continuam, mas temos pelo menos 400 mortos e mais de 200 feridos". A afirmação é do porta-voz do Ministério da Saúde do país atingido, Sharafat Zaman.

Um ataque aéreo realizado pelo Paquistão atinge Cabul, capital do Afeganistão, em 16 de março de 2026.
Um ataque aéreo realizado pelo Paquistão atinge Cabul, capital do Afeganistão, em 16 de março de 2026.
Foto: © Stringer / AFP / RFI

O vice-porta-voz do governo afegão, Hamdullah Fitrat, também mencionou os mesmos números neste ataque.

O balanço, no entanto, não foi verificado por fontes independentes, mas jornalistas da AFP observaram durante a noite pelo menos 30 corpos e dezenas de feridos no centro médico. Segundo fontes médicas, o hospital em Cabul abrigava cerca de 2.500 dependentes químicos.

Refutando as informações divulgadas por autoridades do Afeganistão, o ministério da Informação paquistanês afirmou que as acusações afegãs são "completamente infundadas". O ministro Attaullah Tarar escreveu na rede social X que "nenhum hospital, centro de reabilitação ou instalação civil foi alvo de ataques". Tarar afirmou que o Exército efetuou seis ataques "precisos, deliberados e profissionais".

O Paquistão afirma que o país vizinho abriga combatentes do movimento dos talibãs paquistaneses, que reivindicaram atentados mortais em seu território. As autoridades do Afeganistão negam esta acusação.

Após um ataque que provocou uma dezena de mortos em novembro do ano passado, os confrontos entre Paquistão e Afeganistão diminuíram, mas nunca cessaram. No entanto, em 26 de fevereiro, uma onda de ataques paquistaneses elevou a tensão na região.

Agonia de familiares

A terça-feira ficou marcada por familiares e amigos que buscam informações sobre mortos e feridos.

"Estou aqui desde que soube do ataque. Procuro meu irmão, mas não o encontro. O que posso fazer?", declarou Habibullah Kabulbai, de 55 anos. Seu irmão mais novo, Nawroz, foi internado há cinco dias. "Estamos desamparados. Isso não acontece apenas comigo, mas com todo o Afeganistão", acrescentou.

O médico Azmat Ali Momand, que trabalhava no hospital no momento do ataque, ficou ferido. "Eu tinha terminado de examinar os pacientes e estava fazendo as abluções (antes da oração) quando ouvi a explosão. O teto desabou sobre mim", disse Ali Momand.

As operações para encontrar corpos e possíveis sobreviventes continuam.

ONU exige investigação sobre ataque

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados exigiu uma investigação "rápida e independente" sobre o ataque, que já é considerado o mais letal no conflito dos últimos meses entre os dois países.

Segundo a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão, 75 civis afegãos morreram entre 26 de fevereiro deste ano e 13 de março, além de mais de 115 mil famílias terem sido deslocadas nas províncias do leste e do sul do país.

Ao mesmo tempo, o Programa Mundial de Alimentos da ONU advertiu que uma "instabilidade persistente empurraria milhões de pessoas a sofrer ainda mais com a fome" no Afeganistão.

"Os esforços diplomáticos dos últimos meses fracassaram e os países do Golfo estão ocupados atualmente com a sua própria guerra", disse o especialista do centro de estudos Atlantic Council International Affairs, Michael Kugelman, que não vislumbra um fim do conflito no curto prazo.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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