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Astrônomos observam estrela anã branca criando onda de choque colorida

12 jan 2026 - 17h03
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Astrônomos observaram uma anã branca -- restos de uma estrela altamente compactos, do tamanho da Terra -- que está criando uma onda de choque colorida à medida que se move pelo espaço, deixando-os em busca de uma explicação.

Altamente magnetizada, a anã branca está gravitacionalmente ligada a outra estrela, no que é chamado de sistema binário, e está sugando gás de sua companheira à medida que ‌as duas orbitam próximas uma da outra. O sistema está localizado na Via Láctea a cerca de 730 anos-luz da Terra, relativamente próximo em termos cósmicos, na constelação de Auriga.

Um ‌ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, 9,5 trilhões de quilômetros (5,9 trilhões de milhas).

A onda de choque -- mais especificamente um arco de choque -- causada pela anã branca foi observada pelo Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, sediado no Chile. A onda de choque foi vista em uma imagem divulgada pelos cientistas brilhando em várias cores, produzidas quando o material que flui para o exterior da anã branca colide com o gás interestelar.

"Uma onda de choque é criada quando o material em movimento rápido se ‍choca com o gás circundante, comprimindo-o e aquecendo-o repentinamente. Um arco de choque é a frente de choque curva que se forma quando um objeto se move rapidamente pelo espaço, semelhante à onda na frente de um barco que se move pela água", disse a astrofísica Simone Scaringi, da Universidade de Durham, na Inglaterra, coautora do estudo publicado nesta segunda-feira na revista Nature Astronomy.

"As cores vêm do gás interestelar que está sendo aquecido e excitado pelo choque. Diferentes elementos químicos brilham ‌em cores específicas quando isso acontece", acrescentou Scaringi.

Nessa onda de choque, o tom vermelho veio do hidrogênio, o verde veio do ‌nitrogênio e o azul, do oxigênio que reside no espaço interestelar.

Algumas outras anãs brancas foram observadas criando ondas de choque. Mas todas elas estavam cercadas por discos de gás extraídos de um parceiro binário. Embora essa anã branca esteja sugando gás de sua companheira, ela não tem nenhum disco do tipo e libera gás no espaço por razões desconhecidas.

As anãs brancas estão entre os objetos mais compactos do universo, embora não sejam tão densas quanto os buracos negros.

Estrelas com até oito vezes a massa do Sol parecem destinadas a se transformar em anãs brancas. Elas acabam queimando todo o hidrogênio que usam como combustível. A gravidade, então, faz com que entrem em colapso e explodam suas camadas externas em um estágio de "gigante vermelha", deixando para trás um núcleo compacto -- a anã branca.

"Há muitas anãs brancas por aí, pois esses são os pontos finais mais comuns da evolução estelar", disse Scaringi.

O Sol parece fadado a terminar sua existência como uma anã branca, daqui a bilhões de anos.

Essa anã branca em questão observada pelos astrônomos tem uma massa comparável à do Sol contida em um corpo ligeiramente maior que a Terra. Sua companheira binária é um tipo de estrela de baixa massa chamada anã vermelha, que tem cerca de um décimo da massa do Sol e é milhares de vezes menos luminosa. Ela orbita a anã branca a cada 80 minutos, com as duas extremamente próximas uma da outra -- aproximadamente a distância entre a Lua e a Terra.

A força gravitacional da anã branca está sugando gás da anã vermelha. Esse material sifonado está sendo puxado para a anã branca ao longo de seu forte campo magnético, acabando por aterrissar em seus polos magnéticos. Embora esse processo libere energia e radiação, ele não é responsável pelo fluxo de saída de material necessário para produzir a onda de choque observada, disse Scaringi.

"Todos os mecanismos de saída de gás que consideramos ‌não explicam nossa observação e ainda estamos intrigados com esse sistema, e é por isso que esse resultado é tão interessante e empolgante", disse Scaringi.

"A forma e o comprimento da estrutura (da onda de choque) mostram que esse processo está em andamento há pelo menos cerca de 1.000 anos, o que o torna duradouro e não um evento único", acrescentou Scaringi.

"Além da ciência, é um lembrete impressionante de que o espaço não é vazio ou estático como podemos ingenuamente imaginá-lo: ele é dinâmico e esculpido por movimento e energia", disse Scaringi.

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