Confrontos deixam três mortos na Tailândia nesta terça-feira
Comissão pretende indiciar a primeira-ministra por negligência. Os manifestantes pedem sua renúncia
Três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em Bangcoc em confrontos entre a polícia e manifestantes que exigem a renúncia da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, acusada nesta terça-feira de negligência pela comissão anticorrupção da Tailândia.
Um policial foi morto a tiros e dois civis também faleceram na confusão, informou o centro de emergências de Erawan. Quase 60 pessoas ficaram feridas, incluindo um estrangeiro.
Pouco depois, a Comissão Anticorrupção Tailandesa (NACC) anunciou que pretende indiciar Yingluck Shinawatra por negligência a respeito de um polêmico programa de subsídios aos produtores de arroz.
Yingluck Shinawatra ignorou as advertências de que o programa provocaria corrupção e perdas financeiras, destacou a comissão.
"A NACC decidiu por unanimidade convocar Yingluck Shinawatra em 27 de fevereiro para notificá-la das acusações", afirma um comunicado da comissão.
O programa questionado pela NACC, que permitia a compra de arroz dos produtores por preço 50% acima do encontrado no mercado, foi decisivo na ampla vitória de Yingluck Shinawatra nas eleições de 2011.
Durante a operação desta terça-feira em Bangcoc, a polícia prendeu mais de 100 pessoas.
Mais de 100 manifestantes foram detidos no complexo do ministério da Energia por violação do estado de emergência imposto na capital, anunciou o comandante do Conselho de Segurança Nacional, Paradorn Pattanatabut.
A polícia antidistúrbios foi mobilizada nos arredores da sede do governo, bloqueada pelos manifestantes. "Não houve resistência. Eles se viram superados pelas forças policiais", disse Pattanatabut.
No início dos protestos, o governo tentava evitar os confrontos para limitar a violência, que já provocou 11 mortes.
Mas na sexta-feira passou a adotar uma estratégia diferente, com a retirada do acampamento ao redor da sede presidencial, que a primeira-ministra Yingluck Shinawatra não consegue utilizar há dois meses.
Nesta terça-feira, a polícia deu prazo de uma hora para a saída dos manifestantes, mas os ativistas responderam que tinham o direito de protestar contra o governo.
Mas a operação não parece afetar os outros acampamentos instalados em diversos pontos importantes da capital desde janeiro, dentro do movimento estratégico de bloquear Bangcoc.
Os protestos, que viram o número de participantes cair consideravelmente nas últimas semanas, exigem há três meses a renúncia da primeira-ministra Yingluck Shinawatra e o fim da influência de seu irmão, Thaksin, que foi chefe de Governo até 2006, quando foi derrubado por um golpe de Estado.
O bilionário, acusado de governar o país do exílio com a ajuda da irmã, continua sendo o principal fator de divisão do país.