Clínica de reabilitação torturava pacientes no Paquistão
Dependentes químicos eram agredidos e acorrentados uns aos outros
Dependentes químicos eram vítimas de maus tratos em uma clínica de reabilitação do Paquistão, informou a agência France Press. As pessoas que deveriam receber tratamento médico eram mantidas presas contra a vontade e forçadas a recitar o Alcorão na clínica administrada por um mulá (homem muçulmano, educado na teologia islâmica e na lei sagrada) paquistanês.
Noor Rehman passou três anos na clínica preso por correntes a uma chapa de concreto coberta por insetos. Vítima de desnutrição e violência física, ele perdeu a visão de um dos olhos. "Nós éramos tratados como animais", disse o homem de 30 anos.
O mulá nos deixava sair apenas quando precisava de ajuda em algum trabalho vinculado à construção, fomos nós que construímos essas paredes", denunciou outro paciente.
Quando a polícia entrou na semana passada na clínica situada em Haripur, a cerca de 80 quilômetros ao norte de Islamabad, encontrou 115 homens acorrentados em pares e presos ao chão.
A maioria das vítimas foi libertada e o administrador do local, Maulana Ilyas Qadri, preso.
Mesmo estando sujeito a ser condenado por tortura e confinamento, Maulana Ilyas Qadri defendeu os métodos empregados: "Eu recito o Alcorão e dou água a eles três veszes por dia, normalmente os viciados que param de usar drogas tremem e vomitam, mas graças ao Surah Yassin (um verso do livro sagrado do Islã) eles não têm problemas".
Mas os pacientes discordam. "Ele nos acorrentava e nos batia com uma vara. Isso não tem nada a ver com o Islã", disse o ex-paciente Shafiullah.
A forma como os pacientes eram tratados no local é uma demonstração de como uma nação islâmica conservadora como o Paquistão lida com o tabu da dependência química. Observadores afirmam que a falta de supervisão legal permite que tais instituições, assim como muitos manicômios, sirvam de lugares de abandono para pessoas que se tornam um incômodo para os familiares.
O Paquistão tem hoje mais de 4 milhões de consumidores de maconha e mais de 860 mil usuários de heroína, de acordo com uma pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas.
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