Após protestos, Itália mandará 500 paraquedistas do Exército a Milão
Militares atuarão em ações de segurança pública contra atos violentos
Após violentos protestos juvenis contra o custo de vida, o governo da Itália enviará 500 paraquedistas do Exército para patrulhar Milão até o fim do ano pelo programa Ruas Seguras. Os tumultos resultaram em policiais feridos e 270 detidos, a maioria menores de idade. Em resposta aos distúrbios, a gestão de Giorgia Meloni também endureceu a legislação de segurança, com penas mais severas para manifestações violentas e responsabilização de pais de infratores.
Cerca de 500 paraquedistas de uma brigada de elite do Exército da Itália serão enviados a Milão após os violentos tumultos que marcaram manifestações juvenis contra o aumento do custo de vida no último fim de semana.
A decisão foi tomada pelo governo da premiê de direita Giorgia Meloni na terça-feira (20), porém a medida foi detalhada nesta quarta (21), após uma reunião de ministros e responsáveis pelas forças de segurança na capital da Lombardia.
A operação também pode incluir militares especializados em drones. O deslocamento, que deve começar nos próximos dias e durar até o fim do ano, ocorrerá no âmbito do projeto "Strade Sicure" ("Ruas Seguras"), programa de longa data que usa militares em funções de segurança pública.
No entanto, os paraquedistas não receberão, como se previa inicialmente, poderes de polícia judiciária, após uma objeção levantada pelo presidente da República, Sergio Mattarella.
O chefe da província de Milão, em consulta com o comando da polícia local, definirá como os militares serão empregados, em tarefas que podem ir de patrulhamento a vigilância estática.
Os tumultos do fim de semana em Milão envolveram saques, depredações e confrontos com a polícia. Ao todo, 270 pessoas foram levadas a delegacias, das quais cerca de 80% eram menores de idade, e 14 policiais ficaram feridos.
A Operação Ruas Seguras foi criada em 2008, no governo de Silvio Berlusconi, e prevê o emprego de forças militares para patrulhar áreas urbanas, vigiar pontos sensíveis e prevenir a criminalidade. "Não quero arriscar ser ambíguo: não sou nada contra a chegada de 500 militares", disse o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, opositor de Meloni, após a reunião desta quarta-feira.
Os confrontos ocorreram durante uma onda de manifestações juvenis contra a falta de investimentos na educação e o aumento do custo de vida no país, na esteira de protestos que começaram na França e se espalharam para diversas cidades europeias.
Os distúrbios fizeram o governo Meloni aprovar um decreto que endurece as medidas de segurança, com a tipificação do crime de "participação violenta em manifestação", que pode resultar em penas de até cinco anos de reclusão, a possibilidade de que os pais paguem por danos provocados por menores de idade e a permissão para prender preventivamente adolescentes que representem riscos para a ordem pública.
Até o momento, não foi anunciada nenhuma medida para aplacar a insatisfação dos manifestantes. "Não é simples explicar essas revoltas em países diferentes, já que cada uma tem motivações específicas. Na minha visão, a explicação mais sólida reside no bloqueio das expectativas: os jovens têm a sensação de que ninguém os ouve", disse o ex-premiê italiano Mario Draghi em uma entrevista à Bloomberg.
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