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Após negociações na Suíça, Irã e EUA criam 'canal' de comunicação para proteger Estreito de Ormuz

Após a assinatura de um memorando de 14 pontos na quinta-feira (18) e 18 horas de negociações na Suíça, iniciadas na sexta-feira (19), o Irã e os Estados Unidos chegaram a um acordo que inclui propostas para encerrar os combates no Líbano e garantir a segurança do Estreito de Ormuz.

22 jun 2026 - 06h27
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O anúncio foi feito nesta segunda-feira (22) pelos mediadores do Catar e do Paquistão. As delegações do Irã e dos EUA se reuniram em um hotel de luxo nos Alpes suíços e alcançaram "progressos encorajadores", de acordo com o comunicado divulgado pelos dois países.

Entre as medidas, está um plano de ação que servirá de base para negociações técnicas. As conversas vão durar 60 dias e serão retomadas imediatamente, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Suíça, que mencionou avanços "construtivos".

Um dos principais pontos que serão discutidos na segunda etapa das discussões será a questão nuclear iraniana. No texto do memorando de entendimento já assinado pelos dois países na semana passada, o Irã promete que "não vai adquirir ou desenvolver armas nucleares".

O Irã afirmou nesta segunda que teve uma "discussão muito breve" com os Estados Unidos sobre o assunto. "Nenhum detalhe foi abordado, e não se pode dizer que as negociações sobre a questão nuclear tenham começado", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, à agência iraniana Irna.

A delegação americana "apresentou suas posições de forma muito sucinta" sobre o tema e o Irã fez o mesmo, acrescentou o porta-voz, que considerou as trocas como uma "apresentação de nossas posições" respectivas.

Canal de comunicação

Após o encontro no fim de semana, os representantes americanos e iranianos concordaram em uma criar um "canal de comunicação com o objetivo de garantir uma passagem segura para os navios comerciais no estreito de Ormuz", por onde passam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais.

O tráfego comercial deverá ser totalmente restabelecido dentro de 30 dias após a retiradas das minas do Estreito, segundo o acordo. Conforme a agência Bloomberg, três superpetroleiros, carregando seis milhões de barris, atravessaram a rota nesta segunda-feira a partir da ilha de Kharg rumo à região de Singapura, onde o petróleo costuma ser transferido para envio à China.

Esse volume se soma a cerca de 20 milhões de barris recentemente exportados a partir do porto de Chabahar, após a suspensão de um bloqueio americano sobre navios que operavam em portos iranianos.

Um soldado libanês diante dos escombros de prédios na cidade de Nabatiyé, no sul do Líbano, em 21 de junho de 2026.
Um soldado libanês diante dos escombros de prédios na cidade de Nabatiyé, no sul do Líbano, em 21 de junho de 2026.
Foto: RFI

Gestão de conflitos

Outra proposta anunciada nesta segunda após a reunião é a criação de um grupo, formado por iranianos, americanos e representantes do Líbano, que integrarão uma célula de gestão de conflitos. O objetivo é garantir "o fim das operações no Líbano", anunciaram os mediadores.

Teerã exige que o acordo final, ainda em discussão, também se aplique ao Líbano, mas Israel se apõe a essa condição. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o exército não se retiraria do sul do país. Mesmo assim, o  chanceler iraniano, Abbas Araghtchi, declarou que houve "progressos significativos para pôr fim à guerra no Líbano".

O ministro das Relações Exteriores iraniano anunciou que "as exportações de petróleo e produtos petroquímicos já não estão restritas, o bloqueio foi levantado, parte dos ativos congelados foi liberada e um grande plano de reconstrução e desenvolvimento foi lançado", que deve atingir pelo menos US$ 300 bilhões, segundo o memorando.

Os Estados Unidos, cuja delegação é liderada pelo vice-presidente J. D. Vance, não reagiram imediatamente aos anúncios.

Tensão no fim de semana

Apesar da assinatura do memorando na semana passada, Teerã havia anunciado no sábado (20) o fechamento do estreito de Ormuz. O Irã acusou os Estados Unidos e Israel, que voltou a bombardear o Líbano, de não respeitarem o texto provisório assinado entre as duas partes.

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou retomar os ataques. "Vocês não terão mais país", declarou ele no domingo, segundo a emissora Fox News. As Forças Armadas israelenses disseram ter respondido a disparos do Hezbollah, aliado do Irã no Líbano. 

Com agências

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