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Apelo de Trump por nacionalização das eleições gera reação furiosa de democratas

3 fev 2026 - 18h29
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O apelo do presidente Donald Trump para que os republicanos "nacionalizem" as eleições gerou reações negativas nesta terça-feira por parte de parlamentares, incluindo alguns republicanos, enquanto democratas expressaram uma nova preocupação de que ele pretenda interferir nas eleições de meio de mandato de novembro, que determinarão o controle do Congresso.

Em uma entrevista em podcast com ‌o ex-vice-diretor do FBI Dan Bongino divulgada na segunda-feira, Trump repetiu as falsas alegações de que a eleição de 2020 foi fraudada e disse que seu partido deveria "assumir o controle" ‌e "nacionalizar" a votação em pelo menos 15 locais, sem detalhar o que quis dizer.

De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, os governos estaduais supervisionam as eleições, não o governo federal, e a maioria das disputas é administrada por autoridades municipais e locais.

Autoridades democratas e defensores do direito ao voto disseram que os comentários de Trump, poucos dias após o FBI vasculhar o escritório eleitoral do condado de Fulton, na Geórgia, em busca de cédulas de 2020, mostram que ele planeja tentar ou talvez até manipular os resultados das eleições deste ‍ano.

"Não se trata das eleições de 2020", disse o senador democrata Mark Warner, da Virgínia, em uma coletiva de imprensa. "Trata-se, francamente, do que virá a seguir."

CONTROLE DA CÂMARA

O partido do presidente historicamente perde cadeiras nas eleições de meio de mandato, e os democratas precisam conquistar apenas três distritos controlados pelos republicanos em novembro para obter o controle da Câmara dos Deputados dos EUA.

Uma autoridade de alto escalão da campanha republicana disse à Reuters que não parecia haver uma estratégia ‌abrangente por trás dos comentários de Trump, além do esforço contínuo do Departamento de Justiça para obter listas de eleitores de ‌muitos estados de tendência democrata.

Parlamentares e especialistas em eleições, no entanto, mostram menos otimismo.

"A última vez que ele começou a falar assim, seus aliados minimizaram os riscos e acabamos com o 6 de janeiro", escreveu Brendan Nyhan, professor de Ciências Políticas do Dartmouth College, no X, referindo-se ao ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA por uma multidão de apoiadores de Trump.

Trump tem frequentemente expressado o desejo de reformular as eleições do país, com base em falsas alegações de que sua derrota em 2020 para o democrata Joe Biden foi motivada por fraude. Ele pediu que as cédulas enviadas pelo correio fossem proibidas, questionou a segurança das urnas eletrônicas e alegou falsamente que milhões de não cidadãos votam regularmente.

Os dois principais republicanos do Congresso, o presidente da Câmara, Mike Johnson, e o líder da maioria no Senado, John Thune, não ofereceram apoio à tomada das eleições, mas defenderam as exigências de Trump de que os eleitores apresentem prova de cidadania norte-americana e identificação com foto.

Thune disse a jornalistas nesta terça-feira que "não era a favor da federalização das eleições".

"Acredito firmemente no poder descentralizado e distribuído", disse ele. "É mais difícil hackear 50 sistemas eleitorais do que hackear um."

Johnson disse que era desnecessário assumir o controle das eleições em alguns estados, mas argumentou que as preocupações de Trump sobre a integridade das eleições eram justificadas.

Alguns republicanos ameaçaram brevemente nesta terça-feira bloquear um acordo para encerrar a paralisação parcial do governo, a menos que o projeto de lei incluísse disposições sobre cidadania e identificação do eleitor.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a intenção de Trump é que o Congresso aprove um projeto de lei separado, de autoria republicana, o Save Act, que inclui esses novos requisitos de votação.

"O presidente acredita na Constituição dos Estados Unidos", disse ela.

"No entanto, ele acredita que obviamente houve muitas fraudes e irregularidades nas eleições ‌americanas."

Aliados de Trump em estados com disputas acirradas disseram à Reuters acreditar que Trump pode ameaçar reter o financiamento federal relacionado às eleições para estados que resistirem às novas medidas eleitorais como requisitos de identificação ou limites para o voto por correspondência.

O governo fornece centenas de milhões de dólares em assistência federal aos estados todos os anos para ajudar na administração das eleições, incluindo equipamentos de votação, atualizações de segurança cibernética e treinamento de mesários.

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