Antes da COP17 sobre desertificação, pastores se reúnem na Mongólia para proteger suas terras
A COP17 contra a desertificação acontece em Ulã-Bator de 17 a 28 de agosto. A Mongólia recebeu, nesta semana, o Global Pastoralist Gathering and Conference, um encontro inédito que reuniu mais de 400 pastoralistas do mundo inteiro, criadores que praticam a pecuária extensiva. Eles chegaram a um consenso sobre uma série de reivindicações para, enfim, serem reconhecidos em sua justa importância.
Étienne Cholez, enviado especial da RFI a Ulã-Bator
Um dos grandes desafios para os pastoralistas é a terra: seus pastos estão diminuindo. Por isso, entre as principais reivindicações está a preservação desses espaços, muitas vezes áridos.
"Talvez, nos próximos anos, os pastores, sobretudo os nômades, não tenham problemas de terra. Caso contrário, em cerca de dez anos, com a forte urbanização e a descoberta de recursos naturais, as terras pastorais estarão ameaçadas", explica Nasirou, criador no norte do Senegal.
Necessidade de se deslocar
Os modos de vida desses grupos também podem ser restringidos pelas fronteiras. Essa é outra grande demanda do encontro: garantir a liberdade de circulação dos pastoralistas entre países. É a realidade de Moctar, no Níger: "De qualquer forma, precisamos nos deslocar, porque os animais precisam ir onde há pasto, água… Os deslocamentos são essenciais. Se não há deslocamento, não há criação."
Ao todo, quatro relatórios resultaram desta semana de negociações, incluindo um específico para as mulheres pastoralistas, como Dewelle, no Senegal: "É uma questão de segurança. Há pessoas que nunca viram uma mulher fazer migração sazonal de seus rebanhos sem estar acompanhada por um homem", disse.
Todas essas demandas serão apresentadas na COP17 sobre a luta contra a desertificação.
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