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ANSA/ A batalha entre Sánchez e Meloni, um duelo eterno

Confronto entre líderes mira pesquisas eleitorais e União Europeia

8 ago 2026 - 13h50
(atualizado às 14h40)
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A batalha entre Pedro Sánchez e Giorgia Meloni sobre imigração é apenas o capítulo mais recente de um duelo eterno. Há anos, os dois líderes alimentam sua rivalidade, cientes de que esse confronto ? especialmente em uma questão tão sensível para os eleitores ? oferece a ambos a oportunidade de ganhar espaço no cenário europeu e, sobretudo, conquistar votos internamente.

Meloni e Sánchez travaram um confronto em meio a crise migratória
Meloni e Sánchez travaram um confronto em meio a crise migratória
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Embora discordem em quase tudo, os dois estão unidos pelo fato de que terão de enfrentar o veredito das urnas nos próximos meses.

De fato, as relações diplomáticas ? mesmo antes da crise atual ? já eram mínimas: como primeira-ministra, Giorgia Meloni nunca fez uma visita oficial a Madri. Sánchez realizou apenas uma visita, em 2023. Em maio passado, enquanto estava em Roma para uma cúpula da FAO, visitou o papa, mas não a primeira-ministra.

Além disso, os progressistas espanhóis conhecem Meloni como uma defensora fervorosa das recentes campanhas eleitorais do Vox.

Seu comício de 11 de outubro de 2021 tornou-se icônico: ao lado de Santiago Abascal, a líder do Irmãos da Itália (FdI) foi aplaudida de pé após proferir a famosa frase: "Eu sou Giorgia, sou mulher, sou mãe, sou cristã".

Também por isso, Sánchez ? aos 54 anos, no poder desde 2018 e líder incontestável da esquerda europeia ? sabe muito bem que seu eleitorado apreciará um endurecimento do tom em relação à primeira-ministra italiana. Ela é vista ? na Espanha e além ? como um estandarte do "soberanismo" global, ao lado de figuras como o argentino Javier Milei e o colombiano Abelardo de la Espriella, e como alguém muito próxima, apesar dos atritos recentes, de Donald Trump ? um inimigo declarado de Madri.

O incidente em Ceuta ? e a decisão subsequente de intensificar o confronto com Roma ? é visto como uma oportunidade de ouro para revitalizar uma liderança socialista gravemente desgastada pelos escândalos que vêm atingindo seu partido e sua família há meses.

A ofensiva agressiva de Sánchez contra Roma busca alcançar dois objetivos aparentemente contraditórios: por um lado, ao lançar um ataque amplo ao governo Meloni, consolida seu apoio na esquerda. Ao mesmo tempo, ao suspender temporariamente as regras de Schengen para italianos, busca silenciar os críticos de direita que, há meses, acusam o governo ? citando anistias em larga escala ? de permitir uma "invasão descontrolada de migrantes".

Seu mantra de longa data, reiterado nos últimos dias, é que a Itália ? país governado por uma direita de linha dura ? registra "muito mais desembarques irregulares" do que a Espanha.

Em resumo, trata-se de um confronto acirrado, apesar de a história ? e, sobretudo, a geografia ? vincular profundamente esses dois grandes "primos do sul", compelidos a atuar em sintonia, especialmente em Bruxelas.

Ambos dependem da estabilidade no Mediterrâneo, clamam por maior envolvimento europeu na gestão migratória, defendem a manutenção da Política Agrícola Comum e buscam fortalecer a influência do sul da Europa dentro da União Europeia.

No fim das contas, se a política não os unir, a própria urgência dos problemas forçará, mais cedo ou mais tarde, tanto Madri quanto Roma a deixar as divergências de lado e retomar a cooperação. 

Ansa - Brasil
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