Americanos e iranianos rejeitam trégua e Trump ameaça destruir o Irã em uma noite
Iranianos e americanos rejeitaram quase simultaneamente, nesta segunda-feira (6), uma proposta de trégua no conflito no Oriente Médio. Pouco depois, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump declarou que o Irã "inteiro" poderia ser "destruído" já na noite seguinte. Ele afirmou que o ultimato com prazo até terça-feira (7) é o último.
Donald Trump, voltou a ameaçar destruir a rede elétrica e outras infraestruturas civis do Irã, exigindo a reabertura do Estreito de Ormuz até terça-feira, às 20h00 pelo horário de Washiongton (21h em Brasília). A navegação pelo local está, na prática, bloqueada por Teerã desde os primeiros dias do conflito.
O chefe da Casa Branca garantiu que esse ultimato é definitivo e que dificilmente será prorrogado.
"O país inteiro pode ser destruído em uma única noite, e essa noite pode muito bem ser a de amanhã", afirmou o presidente americano durante uma coletiva de imprensa.
Trump também ameaçou um veículo de comunicação americano, que não citou nominalmente, com prisão após vazamentos sobre a busca por um piloto americano no Irã. Segundo o presidente, os iranianos "não sabiam que ele estava desaparecido até que a informação foi divulgada". Trump disse que exigirá que o veículo revele a identidade da fonte.
O presidente americano indicou que mais de 170 aviões participaram das operações de resgate dos dois pilotos do caça que caiu no Irã, na sexta-feira. O primeiro foi resgatado logo após a queda e o segundo no domingo.
Trégua rejeitada
No 38º dia de guerra, a ofensiva israelense e americana atingiu infraestruturas energéticas do Irã. O presidente dos Estados Unidos admitiu não se preocupar com a possibilidade de essas destruições configurarem crimes de guerra.
A Casa Branca confirmou que países mediadores propuseram uma pausa de 45 dias nos combates, acrescentando que Trump não validou essa ideia. "Ainda não é suficiente, mas é um passo muito significativo", afirmou o próprio presidente durante conversa com jornalistas.
Segundo o site americano Axios, mediadores da Turquia, do Egito e do Paquistão fizeram uma proposta em duas fases, com um cessar-fogo inicial de 45 dias. A trégua permitiria negociações que poderiam levar a um acordo para encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos.
Do outro lado, a agência iraniana Irna informou que Teerã rejeitou uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo Paquistão, cujo conteúdo não foi detalhado. Em sua resposta, o Irã insistiu na necessidade de um fim definitivo dos combates. Teerã exige um protocolo para a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, essencial para o abastecimento mundial de petróleo, além da reconstrução e da suspensão das sanções contra o país.
Antes disso, um porta-voz do Exército iraniano havia advertido que o país continuaria as hostilidades "pelo tempo que as autoridades políticas considerarem necessário".
A Guarda Revolucionária, força ideológica do regime iraniano, declarou que se prepara para impor condições de navegação no Estreito de Ormuz, que se aplicariam "em especial aos Estados Unidos e a Israel". As autoridades não detalharam essas condições, mas nas últimas semanas parlamentares iranianos sugeriram a aplicação de pedágios e taxas de passagem aos navios que cruzam o estreito.
Complexo petroquímico atingido
No terreno, os bombardeios continuam de ambos os lados. Dois complexos petroquímicos iranianos foram atingidos. Antes mesmo do fim do ultimato americano, Israel atacou instalações do campo de South Pars, em Assalouyeh, no sul do Irã, responsável, segundo o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, por cerca de metade da produção petroquímica do país.
A agência iraniana Fars relatou "várias explosões" nesse imenso complexo, que também abriga a maior instalação de gás natural do país. Nenhuma vítima foi registrada, e a agência Irna informou que o incêndio estava sob controle.
"Se os ataques contra alvos civis continuarem, as próximas fases de nossas operações ofensivas e de retaliação serão muito mais devastadoras e amplas", advertiu o porta-voz do comando militar iraniano.
Além das infraestruturas, dirigentes iranianos também foram alvos. A Guarda Revolucionária anunciou que o chefe de sua inteligência, Majid Khademi, foi morto e prometeu vingar sua morte com "uma grande resposta". O guia supremo Mojtaba Khamenei prestou homenagem ao dirigente em uma mensagem escrita.
Com agências