Venezuela exige na ONU a libertação imediata de Nicolás Maduro
A Venezuela pediu, na segunda-feira (23), à ONU, a libertação "imediata" do presidente deposto Nicolás Maduro. Enquanto isso, Caracas prometeu libertar presos políticos no âmbito de uma anistia decretada pela presidente interina, sob pressão de Washington.
Em discurso no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, pediu "a libertação imediata, pelo governo dos Estados Unidos, do presidente constitucional" da Venezuela.
"O dia 3 de janeiro de 2026 marcou um ponto de virada de extrema gravidade. Uma ação militar ilegal contra o nosso país resultou na morte de mais de 100 pessoas e na prisão arbitrária" de Maduro e de sua esposa, acrescentou o ministro venezuelano.
O ex-presidente e a primeira-dama, Cília Flores, foram capturados em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro. Ambos aguardam julgamento por acusações de tráfico de drogas, em Nova York. Maduro se declarou "prisioneiro de guerra". Ele governou a Venezuela com mão de ferro de março de 2013 a janeiro de 2026. O país é atualmente presidido por Delcy Rodríguez, que era sua vice-presidente desde 2018.
Após assumir o poder, Rodríguez implementou mudanças sob pressão de Washington, incluindo a aprovação de uma lei de anistia para libertar presos políticos e a reforma do setor petrolífero, possibilitando sua exploração por empresas americanas.
Na segunda-feira, Rodríguez retirou Camilla Fabri, esposa de Alex Saab, aliado próximo de Maduro, do governo. Preso em Cabo Verde em 2020 e extraditado para os Estados Unidos em 2021 sob acusações de desvio de ajuda alimentar e lavagem de dinheiro, Saab foi trocado, em 2023, por dez americanos detidos na Venezuela.
No início de fevereiro, veículos de comunicação relataram sua prisão a pedido do FBI, enquanto uma fonte próxima ao governo disse à AFP que Saab estava "em casa", sem fornecer mais detalhes.
Na segunda-feira, a Alta Representante da União Europeia para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, anunciou que proporia à UE o levantamento das sanções contra Rodríguez. "Quanto a chegar a um consenso, veremos, ainda não sabemos", declarou a jornalistas em Bruxelas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve pedir, nesta semana, durante a cúpula do Caribe, uma posição comum sobre a Venezuela e sobre a continuidade da pressão sobre Cuba.
Libertação de presos políticos
A expectativa das famílias de presos políticos é que a lei de anistia promulgada pelo governo venezuelano na quinta-feira (19) liberte centenas de pessoas. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy Rodríguez, informou que 1.500 solicitaram anistia.
A ONG venezuelana Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos, informou que 65 pessoas foram libertadas nos últimos três dias (7 na sexta-feira, 15 no sábado e 43 no domingo), segundo um balanço divulgado na manhã de segunda-feira. "Continuamos investigando outros casos", afirmou um de seus diretores, Gonzalo Himiob.
A lei, contudo, foi considerada insuficiente por defensores de direitos humanos. Ela não abrange, por exemplo, casos relacionados a militares - muitos deles detidos na penitenciária Rodeo 1, onde cerca de 200 presos iniciaram uma greve de fome no fim de semana, segundo familiares.
A Cruz Vermelha teve acesso, no domingo, pela primeira vez, a várias prisões, incluindo Rodeo, para avaliar as condições dos detentos. Na segunda-feira, membros da organização retornaram ao local, indicando a possibilidade de novas libertações.
Jorge Rodríguez afirmou que aproximadamente 11.000 pessoas em liberdade condicional nos últimos 27 anos receberiam agora liberdade plena e definitiva. O governo, por sua vez, anunciou o início da transformação de El Helicoide - prisão que se tornou símbolo de tortura e detenção arbitrária na Venezuela. A presidente interina prometeu seu fechamento, mas o local ainda abriga detentos.
Com AFP