Trump defende ataques ao Irã e sinaliza mais mortes de soldados americanos em meio à escalada
O republicano classificou os ataques como "um grande dia para os Estados Unidos e para o mundo"
Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York
No terceiro dia da operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o conflito se estende ao Líbano e a outros países da região que abrigam bases militares americanas. Essas localidades passaram a ser alvo de retaliações do regime islâmico e de aliados como o Hezbollah. Neste domingo (1), Donald Trump tentou justificar os ataques ao Irã, criticados por um terço dos americanos, afirmando que a ofensiva aérea busca garantir a segurança de longo prazo dos Estados Unidos.
Trump também preparou o terreno para a possibilidade de novas mortes de militares americanos e prometeu reagir às primeiras baixas. Em entrevista ao New York Times, o presidente declarou ter "três boas opções" para direcionar o Irã, sem revelar quais seriam. Em outra entrevista, à CBS News, afirmou que os bombardeios foram eficazes e abriram espaço para a diplomacia. Segundo ele, um acordo agora seria "muito mais fácil" porque, em suas palavras, o Irã estaria sendo "duramente atingido". O presidente classificou os ataques como "um grande dia para os Estados Unidos e para o mundo" e disse que os iranianos demonstraram interesse em dialogar.
Teerã, porém, descarta qualquer negociação com Washington para encerrar o conflito. O chanceler Abbas Araqchi rebateu a narrativa americana, afirmando à Al Jazeera que o Irã sempre esteve aberto ao diálogo, mas acusou os Estados Unidos de atacarem justamente durante negociações em andamento. Ele lembrou que, em 2015, Teerã firmou um acordo nuclear com grandes potências globais, posteriormente abandonado por Washington. Segundo Araqchi, esse histórico coloca em dúvida a credibilidade dos EUA quando se trata de negociações.
O governo americano informou que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, concederão uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (2) pela manhã, em Washington, para detalhar a operação militar contra o Irã. A coletiva ocorrerá às 8h (10h no horário de Brasília).
Na terça-feira, Hegseth e Caine se reunirão com parlamentares do Congresso, acompanhados do secretário de Estado Marco Rubio e do diretor da CIA John Ratcliffe, para prestar esclarecimentos sobre os ataques. Rubio, inclusive, cancelou uma viagem que faria a Israel nesta semana devido à escalada do conflito.
Manifestações agradecem a intervenção no Irã
Além dos protestos contrários à ação militar americana, ocorreram manifestações em apoio à ofensiva e à morte do líder supremo do Irã. No sábado, iranianos-americanos foram às ruas em cidades como Los Angeles e Nova York para celebrar a morte do aiatolá Ali Khamenei, atribuída a ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel. Para parte da diáspora iraniana, o episódio representa um momento histórico que pode abrir caminho para uma mudança profunda no regime em Teerã.
Em Los Angeles, manifestantes exibiram bandeiras da era monárquica, cartazes agradecendo Donald Trump e slogans pedindo a libertação do Irã. Em Nova York, centenas se reuniram perto da sede da ONU e marcharam até a Times Square. Muitos relataram emoção e esperança de que a morte do líder supremo marque o início de uma nova fase política no país.
Reino Unido autoriza uso de bases militares
O governo britânico confirmou neste domingo que autorizou os Estados Unidos a utilizarem bases militares do Reino Unido para ações de defesa contra o Irã. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Keir Starmer, que afirmou que a medida busca impedir o lançamento de mísseis iranianos, proteger civis e evitar riscos a vidas britânicas e de países não diretamente envolvidos no conflito.
Pouco depois, o Ministério da Defesa do Reino Unido informou que um drone suspeito atingiu a base aérea de RAF Akrotiri, no Chipre, principal centro de operações britânico na região. Não houve vítimas. O secretário da Defesa, John Healey, declarou que mísseis balísticos teriam sido disparados em direção ao Chipre, informação negada pelo governo cipriota.
O impacto mais imediato ocorreu no mercado de petróleo. Diante do temor de interrupções no Estreito de Hormuz — rota de cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente — o barril do Brent chegou a subir 13%, ultrapassando US$ 82, o maior nível em mais de um ano.
A tensão também atingiu os mercados financeiros. As bolsas asiáticas abriram em queda nesta segunda-feira, com investidores reagindo ao risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, após Trump declarar que os ataques podem continuar por semanas.