Sem Durigan, ministros das Finanças do G20 reúnem-se nos EUA
Os ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do G20 estão reunidos até terça-feira (1º) em Asheville, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. A escalada da guerra no Oriente Médio e a campanha de pressão econômica do governo de Donald Trump contra o Irã devem dominar parte das discussões.
Sob a liderança dos EUA, ministros das Finanças do G20 reúnem-se na Carolina do Norte em meio a tensões comerciais e à escalada no Oriente Médio, com Washington pressionando por sanções contra o Irã. O Brasil é representado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, após a ausência de Dario Durigan. A cúpula discute temas econômicos globais sob atritos diplomáticos, incluindo disputas tarifárias e a exclusão da África do Sul pelo governo americano.
O encontro ocorre em Asheville, cidade localizada no oeste da Carolina do Norte, na região dos Montes Apalaches, em um complexo turístico escolhido pelo governo americano para sediar a reunião ministerial.
Embora o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenha informado em julho que pretendia participar do encontro, sua agenda pública divulgada nesta segunda-feira (31) registra compromissos oficiais no Brasil.
O Brasil está representado na reunião pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que participa dos debates ao lado de ministros das Finanças e dirigentes de bancos centrais das principais economias do mundo.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, preside os trabalhos ao lado do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh.
Em pauta
Washington, que exerce neste ano a presidência rotativa do G20, pretendia concentrar as discussões em temas como crescimento econômico, desregulamentação, inovação financeira e redução dos desequilíbrios comerciais globais.
No entanto, esses assuntos tendem a ser ofuscados pela nova escalada do conflito no Oriente Médio, intensificada entre domingo e segunda-feira.
Figura-chave da administração Trump, Bessent recebeu a missão de liderar uma ofensiva econômica contra o Irã por meio de sanções financeiras. Nas últimas semanas, o secretário do Tesouro advertiu países que mantêm relações comerciais com Teerã, ameaçando restringir seu acesso ao sistema financeiro ocidental.
A mensagem é dirigida especialmente à China, integrante do G20 e principal parceiro comercial da República Islâmica.
Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Bessent deverá reiterar aos participantes a necessidade de ampliar a pressão econômica sobre o regime iraniano.
Em comunicado divulgado pouco antes da abertura da reunião, a União Europeia afirmou estar "pronta para tomar novas medidas, se necessário, para proteger sua segurança e seus interesses, incluindo a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz", bloqueado pelo Irã desde o início do conflito.
Discussões delicadas
Apesar de a Suprema Corte dos Estados Unidos ter invalidado parte das tarifas impostas por Donald Trump, a Casa Branca não abandonou os planos de ampliar barreiras comerciais sobre produtos importados.
Washington também reacendeu recentemente as tensões comerciais com o Canadá, seu principal parceiro econômico e integrante tanto do G20 quanto do G7.
Criado após a crise financeira asiática de 1997-1998, o G20 tem como objetivo fortalecer a estabilidade econômica e financeira global. O grupo reúne 19 países e duas organizações regionais: a União Europeia (UE) e a União Africana (UA).
A África do Sul foi excluída das reuniões deste ano pelo governo americano, que acusa Pretória de perseguir agricultores brancos. As autoridades sul-africanas rejeitam a acusação.
Embora não seja membro do grupo, a Polônia foi convidada por Washington para participar das atividades da presidência americana, em reconhecimento ao forte crescimento econômico do país nos últimos anos.
A Rússia será representada por um enviado do Ministério das Relações Exteriores.
Enquanto as autoridades econômicas discutem os rumos da economia mundial em Asheville, a atenção diplomática também se volta para a Ásia Central.
O presidente russo, Vladimir Putin, participa nesta segunda e terça-feira da cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (OCS), em Bishkek, capital do Quirguistão. O encontro reúne ainda o presidente chinês, Xi Jinping, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Com AFP
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