Maduro promete aumento de 'até 45%' no salário mínimo se ganhar eleição
Maduro lembrou que Chávez elevou 'todos os anos, religiosamente, o salário dos trabalhadores' e que em 2012 a alta foi de 32%
O presidente interino e candidato nas eleições do próximo domingo na Venezuela, Nicolás Maduro, prometeu nesta terça-feira um aumento de "até 45%" no salário mínimo em caso de vitória. A proposta é similar à formulada por seu adversário, o opositor Henrique Capriles.
"Este ano anuncio um aumento salarial em nome do meu comandante (Hugo) Chávez: no mês de maio vamos dar uma primeira parcela de 20%, em setembro, mais 10%, e no mês de novembro vamos fazer um ajuste de acordo com a inflação, de entre 5% e 10%", disse Maduro em um comício para milhares de trabalhadores em Caracas.
O aumento acumulado será de "até 45%", explicou Maduro, ex-sindicalista e ex-motorista de ônibus. O salário mínimo na Venezuela é atualmente de 2.047 bolívares, equivalente a US$ 325 no câmbio oficial. Maduro lembrou que Chávez elevou "todos os anos, religiosamente, o salário dos trabalhadores" e que em 2012 a alta foi de 32%, acima da inflação, de 20,1%.
Capriles já havia prometido elevar o salário mínimo em cerca de 40% para compensar "a perda de poder aquisitivo" dos venezuelanos após a desvalorização de 32% do bolívar diante do dólar, em fevereiro passado.
Resultado
Maduro e Capriles comprometeram-se a respeitar o resultado das urnas. "Respeitarei os resultados que o povo decidir em 14 de abril", disse Maduro, durante um ato com trabalhadores em Caracas, transmitido pelo canal estatal VTV.
Ele reiterou que assinará um pacto entre os candidatos, elaborado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a pedido da campanha governista. "Vou assinar em nome da paz da pátria (...) Vou assinar por respeito ao povo", frisou Maduro.
Já Capriles se recusou a assinar o acordo com o CNE, firmando um outro documento, durante um evento em Cumaná (nordeste). Nele, comprometeu-se a "respeitar e fazer respeitar a vontade soberana" durante as eleições e exigiu que Maduro abandone o uso de recursos e da mídia estatal em sua campanha.
"Exijo do candidato do governo que igualmente se submeta e aceite os desígnios do povo venezuelano e que, nos dias que restam para 14 de abril, desista de continuar utilizando os recursos do Estado e os veículos públicos em favor de sua candidatura", desafiou o líder opositor.
A oposição acusa o CNE de ser parcial em favor da campanha do governo e de não regular o uso dos recursos públicos por parte de Maduro, que assumiu como presidente após a morte de Hugo Chávez, em 5 de março. Capriles denunciou ainda que o comando oficialista teve acesso às senhas das urnas eletrônicas, mas o CNE minimizou a gravidade do ocorrido, garantindo que o sistema eleitoral venezuelano é "transparente e confiável".
Na campanha para a eleição presidencial de outubro passado, na qual Chávez derrotou Capriles por 11 pontos de diferença, os candidatos assinaram um acordo redigido pelo CNE, comprometendo-se a reconhecer os resultados, agir no cumprimento da lei e propiciar um clima de respeito para evitar episódios violentos. Além de Maduro e Capriles, outros cinco candidatos disputarão, no próximo domingo, o voto de quase 19 milhões de venezuelanos.