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América Latina

EUA: Trump entra em campanha para evitar derrota republicana nas eleições de meio de mandato

Com a sua lei orçamentária aprovada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se lança agora em uma nova batalha: as eleições legislativas de meio de mandato. Em 3 de novembro de 2026, os eleitores americanos irão renovar os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço dos 100 assentos do Senado. Uma derrota do seu partido dificultaria a continuidade do seu programa de governo. Além disso, poderia abrir caminho para investigações no Congresso e um eventual processo de impeachment.

29 jul 2025 - 10h55
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Com a sua lei orçamentária aprovada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se lança agora em uma nova batalha: as eleições legislativas de meio de mandato. Em 3 de novembro de 2026, os eleitores americanos irão renovar os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço dos 100 assentos do Senado. Uma derrota do seu partido dificultaria a continuidade do seu programa de governo. Além disso, poderia abrir caminho para investigações no Congresso e um eventual processo de impeachment.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em uma cúpula de IA em Washington, em 23 de julho de 2025.
O presidente dos EUA, Donald Trump, em uma cúpula de IA em Washington, em 23 de julho de 2025.
Foto: AP - Julia Demaree Nikhinson / RFI

O desafio é grande para o Partido Republicano, que detém apenas uma estreita maioria nas duas casas do Congresso.

"O mais importante para Donald Trump é manter a maioria republicana no Senado, onde as votações têm sido decididas por uma margem mínima desde o início do seu mandato", destaca Antoine Yoshinaka, professor de ciência política da Universidade Estadual de Nova York. "É pelo Senado que passam as confirmações dos membros da administração federal e dos juízes que ele nomeia."

Embora ainda seja cedo — falta quase um ano e meio para as eleições — as últimas pesquisas indicam, em média, uma vantagem de três pontos para os democratas. O histórico também não favorece os republicanos: desde 1850, com o surgimento do sistema bipartidário moderno nos Estados Unidos, o partido do presidente — seja republicano ou democrata — quase sempre perde cadeiras nas eleições de meio de mandato. A troca de controle da Câmara dos Representantes tem sido uma constante nos últimos 30 anos. Trump, que já passou por isso em 2018, guarda uma lembrança amarga da experiência.

Mobilizar a base

Para evitar uma nova derrota, o presidente pretende se engajar pessoalmente na campanha. "Ele quer ajudar. Está totalmente dedicado", observou o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, citado pelo site Politico. A ponto de tornar isso uma obsessão. O bilionário já anunciou que vai liderar a arrecadação de fundos para os candidatos republicanos e intensificar os comícios, convencido de que é o único capaz de mobilizar a sua base.

Enquanto isso, Trump atua diretamente na escolha dos candidatos. Ele distribui incentivos, encoraja alguns a concorrer novamente e manobra para evitar as candidaturas que desagradam. O objetivo é evitar primárias internas muito acirradas e garantir a presença de aliados fiéis. A senadora Joni Ernst, de Iowa, por exemplo, que cogitava se aposentar após dois mandatos, foi convencida a disputar o cargo novamente. Já no Michigan, o deputado Bill Huizenga foi orientado a desistir da corrida pelo Senado.

A estratégia é arriscada. "Quando Trump interfere na escolha dos candidatos, geralmente apoia os mais leais. Mas esses nem sempre são os mais capazes de conquistar os votos dos eleitores moderados", observa Yoshinaka. "Foi o que vimos nas últimas eleições de meio de mandato, em 2022, quando os democratas conseguiram ganhar cadeiras que deveriam ter ido para os republicanos."

Mudando as regras

Para aumentar as chances do seu partido, Trump não hesitou em alterar as regras do jogo. Assim que reassumiu o cargo, ele assinou um decreto modificando a legislação eleitoral. O texto, apresentado como uma medida para "preservar e proteger a integridade das eleições americanas", prevê restrições ao voto por correspondência e reforça os requisitos de identificação dos eleitores — com o objetivo não declarado de dificultar a participação dos democratas.

"Os republicanos estão convencidos de que o voto por correspondência favorece fraudes. Eles também acreditam que a flexibilização do processo eleitoral beneficia principalmente os grupos historicamente ligados aos democratas, como as minorias étnicas", explica Antoine Yoshinaka.

O decreto, cuja entrada em vigor foi suspensa por um juiz federal, pode acabar sendo contraproducente, caso venha a ser implementado. Isso porque, ao impor obstáculos ao voto, ele tende a prejudicar sobretudo o eleitorado com menor escolaridade — justamente aquele que tem mais resistência a comparecer às urnas e que, hoje, tende a apoiar mais os republicanos do que os democratas.

Como se não bastasse, a Casa Branca recentemente entrou em contato com líderes republicanos do Texas para convencê-los a realizar um novo perímetro dos distritos eleitorais, na tentativa de conquistar quatro ou cinco cadeiras adicionais na Câmara dos Representantes. A manobra, segundo o The New York Times, consistiria em reconfigurar os limites de quatro distritos com ampla maioria republicana, transferindo parte dos seus eleitores para distritos democratas — com o objetivo de desequilibrar o resultado a favor dos republicanos.

Esses ajustes no mapa eleitoral, que normalmente ocorrem após os censos feitos a cada dez anos para refletir mudanças demográficas, costumam gerar polêmica quando feitos de forma antecipada. E este caso não foi exceção: provocou forte reação entre os democratas. Os governadores da Califórnia, Gavin Newsom, e de Illinois, JB Pritzker, ameaçaram responder com medidas semelhantes caso o governador do Texas leve o plano adiante.

Um presidente impopular

De acordo com Antoine Yoshinaka, "as eleições de meio de mandato costumam ser decididas por dois fatores: a economia e a popularidade do presidente".

Nesse ponto, é evidente que o atual ocupante da Casa Branca enfrenta dificuldades. Ele está entre os presidentes americanos menos populares do século XXI com o mesmo tempo de mandato. Na verdade, pior do que Trump nesse período só ele mesmo, no seu primeiro governo.

A essa impopularidade soma-se o risco de desmobilização de sua base eleitoral — que, historicamente, já tende a votar pouco nas eleições de meio de mandato — e que ficou ainda mais desmotivada após do caso Epstein. Na tentativa de retomar o controle sobre o noticiário e se desvincular do escândalo sexual envolvendo Jeffrey Epstein, Donald Trump entrou com um processo por difamação contra o Wall Street Journal. Mas o gesto, em vez de virar a página, aprofundou ainda mais a crise.

"A recuperação de sua popularidade vai depender da retomada econômica, que ele pretende estimular com a redução das taxas de juros, para incentivar os empréstimos e, assim, o consumo", observa  Antoine Yoshinaka. "O problema é que isso pode gerar um aumento da inflação."

Foi exatamente a inflação que derrubou o seu antecessor, Joe Biden. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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