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América Latina

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Eleição no Brasil pode ser decisiva para o equilíbrio geopolítico da América Latina

O Brasil se prepara para o 2º turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, que surpreendeu neste domingo (4) ao obter 47% dos votos no 1º turno das eleições presidenciais, dois pontos percentuais de vantagem sobre o líder petista. Segundo o Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA Internacional), o resultado das urnas não apenas redefinirá os rumos da política brasileira, mas também terá impacto sobre a geopolítica regional.

6 out 2026 - 11h54
(atualizado às 12h28)
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Resumo
A eleição presidencial no Brasil será determinante para o equilíbrio geopolítico da América Latina e para as relações com Mercosul, BRICS, EUA e China. Especialistas apontam que o pleito impactará o multilateralismo regional em um momento de reconfiguração de forças. A disputa, que avançou ao segundo turno, também é marcada por investigações sobre um possível intervencionismo norte-americano, garantindo que os efeitos do resultado ultrapassem as fronteiras do país.

Carlos Pizarro, da RFI

Montagem com foto do presidente Lula (à esquerda) e Flávio Bolsonaro, que disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro.
Montagem com foto do presidente Lula (à esquerda) e Flávio Bolsonaro, que disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro.
Foto: © Pablo Porciuncula, Mauro Pimentel / AFP / RFI

Além de escolher seu próximo presidente da República no próximo 25 de outubro, o Brasil também definirá o equilíbrio geopolítico da América Latina e a representação da região no cenário internacional. O futuro da maior economia latino-americana pode influenciar o Mercosul, os BRICS e, sobretudo, as relações com os Estados Unidos e a China.

O impacto dessas eleições na região tende a ser decisivo, afirma Marcela Ríos Tobar, diretora para a América Latina e o Caribe do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA Internacional). Segundo ela, o que ocorrer nas urnas terá efeitos tanto internos quanto externos, "em um momento em que mudou a correlação de forças na América Latina e em que observamos um enfraquecimento do sistema multilateral". 

Ríos destaca que o Brasil historicamente apostou no multilateralismo. Por isso, "uma mudança de visão em relação às alianças internacionais, aos fóruns multilaterais e à forma como a região conduz atualmente sua relação com os Estados Unidos será fundamental para a América Latina e para o mundo", afirmou. 

Possível intervencionismo dos EUA

Os Estados Unidos poderiam ter desempenhado um papel importante nesse processo eleitoral após a abertura de uma investigação motivada por uma denúncia da Advocacia-Geral da União (AGU), baseada em uma reportagem do jornal britânico The Guardian. A publicação revelou que Washington teria destinado US$ 1 milhão a uma organização crítica ao Supremo Tribunal Federal. 

"Os Estados Unidos vêm exercendo um papel de intervencionismo em processos eleitorais como não víamos há décadas", disse. "O que fizeram em Honduras, ao libertar o ex-presidente, o que fizeram na Argentina, oferecendo um pacote de resgate econômico, e seus apoios explícitos a candidaturas na Colômbia são alguns exemplos.

"Além disso, a Justiça brasileira investiga neste momento um possível intervencionismo que vai além dessas declarações públicas e que estaria relacionado a possíveis financiamentos de campanha. Isso precisa ser investigado e ainda não foi comprovado", afirmou Ríos. 

Ela acrescentou ser preocupante que "o intervencionismo diplomático, político e econômico exercido pelos Estados Unidos possa ir além e se transformar em uma forma de intervenção direta no financiamento de campanhas". 

Mais de 125 milhões de brasileiros compareceram às urnas no último domingo. A votação levou a disputa para o segundo turno e registrou uma taxa de abstenção de 21,08%, o equivalente a pouco mais de 33 milhões de eleitores. Seja qual for o resultado da votação decisiva, seus efeitos devem ser sentidos muito além das fronteiras brasileiras.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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