Caracas acorda sob explosões e Maduro decreta 'emergência' após 'ataque dos EUA'
Segundo as emissoras CBS News e Fox News, forças norte-americanas estão por trás de uma série de ataques que atingiram Caracas na madrugada deste sábado (3), por volta das 2h locais (3h em Brasília). Testemunhas relataram fortes explosões e ruídos de aviões sobre a capital venezuelana, com colunas de fumaça próximas a uma base militar no sul da cidade. As informações foram confirmadas por autoridades do governo Donald Trump, sob anonimato, segundo as duas emissoras norte-americanas.
A Venezuela decretou "estado de emergência nacional" e denunciou uma "agressão militar" dos Estados Unidos após múltiplas explosões ocorridas na capital Caracas e em outras regiões do país na madrugada deste sábado. Um responsável norte-americano, sob anonimato, afirmou à agência Reuters que os Estados Unidos estão realizando ataques dentro do território venezuelano, sem fornecer detalhes.
Testemunhas relataram que explosões sacudiram Caracas na manhã deste sábado, com colunas de fumaça preta e aeronaves visíveis, segundo relatos à Reuters e imagens que circulam nas redes sociais. Uma queda de energia afetou o sul da cidade, nas proximidades de uma importante base militar, segundo moradores.
A Casa Branca e o Pentágono não comentaram os relatos nem as imagens que circulam nas redes sociais mostrando múltiplas explosões em diferentes pontos da cidade.
Maduro denuncia "agressão militar" e decreta estado de exceção
Em comunicado oficial, o governo venezuelano classificou os ataques como uma "grave agressão militar" contra o território e a população do país. Segundo o texto, as explosões atingiram áreas civis e militares em Caracas e nos Estados de Miranda, Aragua e La Guaira. "Essa agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais e coloca em risco a vida de milhões de pessoas", afirma o comunicado.
O presidente Nicolás Maduro declarou que o objetivo dos Estados Unidos seria "tomar os recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação".
Maduro convocou todas as forças sociais e políticas para ativar planos de mobilização e rejeitar o que chamou de "ataque imperialista". Em seguida, assinou o decreto que estabelece estado de exceção em todo o território nacional. "Todo o país deve se mobilizar para vencer essa agressão", concluiu.
Silêncio de Washington e histórico de pressão sobre Caracas
Até o momento, nem a Casa Branca nem o Pentágono comentaram as explosões ou os relatos de aviões sobrevoando Caracas. No entanto, fontes citadas pela CBS News e Fox News confirmam a participação militar norte-americana nos ataques. A jornalista Jennifer Jacob, da CBS, publicou no X (antigo Twitter) que a administração Trump está ciente das explosões na capital venezuelana.
Os Estados Unidos já haviam imposto um bloqueio ao petróleo venezuelano, ampliado sanções econômicas e realizado mais de vinte operações contra embarcações acusadas de tráfico de drogas no Pacífico e no Caribe. Na semana passada, Trump declarou que os EUA haviam "atingido" uma área do território venezuelano onde operavam barcos suspeitos de transportar drogas, marcando a primeira ação terrestre conhecida desde o início da campanha de pressão contra Maduro.
Além disso, Washington reforçou sua presença militar na região com porta-aviões, navios de guerra e caças de última geração posicionados no Caribe. Trump, que prometeu operações terrestres, afirmou recentemente que seria "judicioso" para Maduro deixar o poder.
Repercussão internacional e alerta regional
O presidente colombiano Gustavo Petro, aliado político de Maduro, condenou os ataques e pediu uma reunião imediata da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da ONU para avaliar a legalidade internacional da ação. "Alerta geral, atacaram a Venezuela", escreveu Petro em sua conta no X, acrescentando que os bombardeios seriam "ataques com mísseis" contra Caracas.
Diversos países latino-americanos criticaram as operações norte-americanas, classificando-as como "execuções extrajudiciais". Até agora, não há confirmação oficial sobre vítimas ou danos, mas a tensão cresce com o risco de escalada militar no continente. Analistas alertam para impactos diretos na economia regional, especialmente no preço do petróleo, e para possíveis reflexos diplomáticos no Brasil, que mantém relações comerciais com a Venezuela e depende da estabilidade na fronteira norte.