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Abdul El-Sayed é eleito 1º senador muçulmano dos EUA após vitória em Michigan

Médico atribuiu resultado à mobilização construída ao longo de um ano e meio de campanha

4 nov 2026 - 08h25
(atualizado às 12h21)
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Resumo
O democrata Abdul El-Sayed fez história ao ser eleito o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, vencendo o republicano Mike Rogers em Michigan. Médico de 42 anos e ex-diretor de saúde de Detroit, El-Sayed superou ataques islamofóbicos com uma plataforma progressista voltada à saúde universal, moradia acessível e críticas ao apoio militar a Israel. Apoiado por nomes como Bernie Sanders, sua vitória marca um avanço na representatividade política e amplia a maioria democrata no Senado.

O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, venceu a disputa pelo Senado dos Estados Unidos em Michigan, derrotando o republicano Mike Rogers.

Médico e ex-diretor de saúde pública de Detroit, ele se tornou o primeiro muçulmano eleito para a Casa, em um resultado histórico para o país.

El-Sayed declarou vitória na madrugada desta quarta-feira (4), durante evento na sede do Partido Democrata em Detroit.

Em seu discurso, atribuiu o resultado à mobilização construída ao longo de um ano e meio de campanha, que percorreu grandes cidades e pequenas comunidades do estado. A campanha foi marcada por ataques à sua identidade religiosa e às suas posições políticas.

O presidente Donald Trump e o vice-presidente J.D Vance fizeram declarações islamofóbicas contra o candidato, questionando sua fé e associando-o ao extremismo.

El-Sayed reagiu, afirmando que seus adversários preferiram estimular a divisão a apresentar respostas para problemas como o aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis.

"Querem uma América pequena demais para alguns de nós. Nós sabemos que a América é grande o suficiente para todos", afirmou.

O democrata concorreu com uma plataforma progressista, defendendo acesso universal ao sistema de saúde, a redução dos custos de moradia e o combate à influência de grandes doadores na política.

Na área externa, destacou-se pelas críticas ao apoio militar dos Estados Unidos a Israel e pela defesa do fim da assistência militar incondicional ao país.

Nascido em Michigan, filho de imigrantes egípcios, El-Sayed é médico e doutor em saúde pública pela Universidade de Oxford. Foi diretor de saúde de Detroit entre 2015 e 2017 e, posteriormente, comandou o departamento de Saúde, Serviços Humanos e de Veteranos do condado de Wayne.

Sua candidatura ganhou força após derrotar a deputada Haley Stevens nas primárias democratas de agosto. Ele recebeu o apoio de importantes lideranças progressistas, como o senador Bernie Sanders, a deputada Alexandria Ocasio-Cortez e a também deputada Rashida Tlaib.

Por sua vez, Rogers, aliado de Trump e ex-integrante da Câmara dos Representantes, tentava conquistar a cadeira deixada pelo senador democrata Gary Peters, que ocupava o cargo desde 2015.

A eleição também foi considerada um teste para a viabilidade de candidaturas progressistas em estados decisivos.

Com algumas disputas ainda indefinidas, os democratas somam 54 cadeiras no Senado, contra 44 dos republicanos, ampliando a vantagem na Câmara alta após vitórias em estados como Texas, Kansas e Carolina do Sul.

A eleição de El-Sayed representa um marco para a representatividade muçulmana na política americana. Antes dele, muçulmanos já haviam sido eleitos para a Câmara dos Representantes, como Keith Ellison, em 2006, e Rashida Tlaib e Ilhan Omar, em 2018, mas nunca para o Senado.

Ansa - Brasil
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