'A situação é de muita apreensão', relata brasileira em Dubai após bombardeios do Irã
Uma série de ataques iranianos, em retaliação aos bombardeios americanos e israelenses deste sábado (28), deixou os habitantes do Golfo em choque e abalou a imagem cuidadosamente cultivada de estabilidade dessas monarquias petrolíferas. A advogada brasileira Tatiana Metran, que mora em Dubai, relata os momentos de apreensão vividos por ela e pela família.
No céu claro do deserto, mísseis riscaram o horizonte em direção às bases americanas em Manama, no Bahrein, e em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
As explosões reverberaram por toda a região, fazendo tremer as janelas dos arranha-céus de Dubai e gerando confusão entre a população. Segundo as autoridades locais, quatro pessoas ficaram feridas.
Algumas explosões ocorreram em uma área próxima à casa da advogada Tatiana Metran. "Foram quatro bombardeios: dois à tarde e dois à noite. Um, às sete horas, foi bem forte, próximo de casa", relata a brasileira, que chegou a filmar o míssil no céu.
"A situação é de muita apreensão. O espaço aéreo está fechado", disse ela à RFI. "Precisamos esperar para entender o que vai acontecer. Tanto o consulado do Brasil quanto o da França estão dando apoio e nos mantendo informados. Isso é importante: ter informações de fontes oficiais", completou.
Informações oficiais
"O que tem funcionado muito são os grupos de WhatsApp também. É por ali que a gente se informa, mas todos os grupos dos quais faço parte estão sendo muito cautelosos e pedindo calma, para que só transmitamos informações checadas ou vindas de fontes oficiais", ressalta.
A advogada, que mora nos Emirados Árabes há dois anos e meio com o marido e as duas filhas, diz que está conversando com elas sobre o tema. "Mas elas recebem informações dos grupos da escola, e estamos atentos para saber que tipo de conteúdo elas estão recebendo", afirma.
"Estou com a família do meu marido aqui em casa, e meu sobrinho mais novo disse uma frase que me cortou o coração: 'Tia Tati, os bombardeios já pararam, a gente pode brincar lá fora?'", conta.
"Estamos bem — bastante preocupados e apreensivos —, mas em uma situação privilegiada, porque temos um teto sobre nossas cabeças", pondera a advogada. "A esperança é que tudo isso acabe rapidamente e que vidas sejam poupadas."