Motorista de app pode gastar R$ 5,5 mil por mês só para trabalhar; app ajuda a calcular lucro real
Ferramenta criada por um motorista de São Paulo mostra quanto sobra depois de combustível, manutenção e outras despesas; veja como fazer a conta
Motoristas de aplicativo enfrentam custos que superam R$ 5,5 mil mensais entre combustível, manutenção e depreciação, recebendo 10% menos por hora e trabalhando mais que outros condutores. Diante da dificuldade em distinguir faturamento de lucro real, ferramentas como o aplicativo Visione Motorista foram desenvolvidas para registrar despesas e corridas, ajudando a calcular a rentabilidade exata da atividade, que exige controle financeiro rigoroso para revelar o que de fato sobra ao condutor.
Ao fim de cada dia de trabalho, motoristas de aplicativo conferem o extrato na tela para saber quanto ganharam com as corridas. Mas o valor exibido está longe de ser o lucro, porque combustível, manutenção, impostos e outras despesas reduzem o que de fato sobra no bolso. Foi para resolver esse problema que o motorista e desenvolvedor Luís Carlos Colucci, de São Paulo, criou o Visione Motorista, em parceria com Michele Barros Colucci. A ferramenta registra corridas e gastos para mostrar quanto o profissional realmente ganha.
A conta não é pequena. Um estudo divulgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) estima que os custos mensais da atividade podem passar de R$ 5 mil. Para quem usa veículo próprio, as despesas chegam a R$ 5.566. Para quem trabalha com carro alugado, o valor estimado é de R$ 5.706.
Os cálculos consideram uma jornada de oito horas por dia, 22 dias por mês, a uma velocidade média de 25 km/h, o que dá cerca de 4,4 mil quilômetros rodados por mês. Na prática, o custo para quem tem carro próprio fica em torno de R$ 1,26 por quilômetro. Os valores são estimativas para essas condições e podem variar conforme o veículo, a cidade e a quilometragem.
Além das despesas, os motoristas de aplicativo têm jornadas mais longas e ganham menos por hora que outros condutores. Em 2025, os profissionais de plataformas digitais trabalharam, em média, 45,9 horas por semana, com rendimento de R$ 14,40 por hora. Entre os demais condutores de automóveis, foram 40,4 horas semanais e R$ 16 por hora. Ou seja, os motoristas de aplicativo passaram cinco horas e meia a mais por semana ao volante e receberam 10% menos por hora.
Como funciona o aplicativo
View this post on Instagram
O aplicativo permite registrar os valores recebidos nas corridas e as despesas da atividade, para que o motorista acompanhe quanto gastou para trabalhar e quanto de fato sobrou depois de descontar os custos.
A ferramenta está disponível para Android, na Google Play, em três modalidades. A versão gratuita tem funções básicas e exibe anúncios. O plano Básico custa R$ 9,90 por mês ou R$ 99 por ano. O plano Completo sai por R$ 24,90 mensais ou R$ 249 anuais, com sete dias de teste e recursos extras, como análises financeiras avançadas e agenda de passageiros.
Quanto ganha um motorista de aplicativo no Brasil
O rendimento varia conforme a cidade, as horas trabalhadas, a demanda por corridas e os custos do veículo. Segundo levantamento publicado pelo Jornal do Carro em setembro de 2026, um motorista que trabalha em período integral em São Paulo pode receber, em média, entre R$ 4 mil e R$ 5 mil por mês. No Rio de Janeiro, a estimativa vai de R$ 3.800 a R$ 5.500. Em Belo Horizonte, os valores ficam entre R$ 3.500 e R$ 4.800 líquidos por mês, e em Porto Alegre, entre R$ 3.400 e R$ 4.800 líquidos.
Os números exigem cautela. O levantamento não deixa claro, de forma uniforme, quais despesas foram descontadas em cada cidade, então os valores não devem ser comparados diretamente como lucro líquido.
A remuneração também depende dos horários. Períodos de maior demanda podem ter tarifas mais altas, enquanto o trânsito intenso, os trechos rodados sem passageiro e o preço do combustível reduzem a rentabilidade.
Faturamento não é lucro, veja como calcular
A diferença entre faturamento e lucro é um dos principais desafios de quem trabalha com transporte por aplicativo. Um motorista que recebe R$ 300 em corridas num dia não necessariamente ganhou esse valor. É preciso descontar combustível, taxas, manutenção, depreciação do veículo e outros custos.
Numa simulação hipotética, se esse profissional gastar R$ 80 com combustível, R$ 20 com alimentação e reservar R$ 30 para manutenção, seguro e outras despesas do carro, sobram R$ 170 naquele dia. Numa jornada de oito horas, isso equivale a R$ 21,25 por hora trabalhada.
A conta, porém, pode ser bem mais apertada. Pelos parâmetros do estudo divulgado pelo TST, o custo total de quem roda com carro próprio chega a cerca de R$ 253 por dia de trabalho, porque inclui despesas que não aparecem no dia a dia, como pneus, revisões, seguro e a depreciação do veículo.
A depreciação, aliás, não é uma saída imediata de dinheiro, mas a perda de valor do carro afeta o resultado da atividade, principalmente para quem roda muitos quilômetros por dia.
Outro indicador importante é o custo por quilômetro rodado. Para calculá-lo, basta dividir o total de despesas do veículo pela quilometragem do período. O resultado mostra quanto custa manter o carro em circulação, inclusive nos trechos sem passageiro.
Aplicativos de controle financeiro, como o Visione Motorista, e planilhas ajudam a organizar essas informações, mas a precisão depende do registro correto de receitas e despesas.
Numa profissão marcada por jornadas longas e custos altos, olhar só o faturamento pode criar uma impressão errada dos ganhos. Mais importante do que saber quanto entrou na conta no fim do dia é descobrir quanto realmente sobrou.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.