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Mortos em terremotos na Venezuela já somam mais de 3,5 mil

6 jul 2026 - 16h35
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Governo contabiliza mais de 16 mil feridos e 17 mil desabrigados. Estimativa da ONU é de até 50 mil desaparecidos. Venezuelanos realizam vigílias e homenagens às vítimas.O número de mortes causadas pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela há 11 dias aumentou para 3.535, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (06/07).

Pessoas realizam vigília em homenagem às vítimas dos terremotos na Venezuela
Pessoas realizam vigília em homenagem às vítimas dos terremotos na Venezuela
Foto: DW / Deutsche Welle

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, disse em uma postagem no X que cerca de 16.740 pessoas ficaram feridas e mais de 17 mil perderam suas casas. O governo não divulgou o número de desaparecidos, mas uma estimativa da ONU indica que esse total pode chegar a 50 mil pessoas.

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela em 24 de junho, seguidos por uma série de réplicas mais fracas. O estado costeiro de La Guaira está entre as áreas mais atingidas.

As equipes de resgate da Venezuela, com o apoio de outras vindas de vários outros países, continuam a busca por sobreviventes presos sob os escombros de prédios desabados. As chances de encontrar pessoas com vida sob os escombros, porém, caiu drasticamente com a passagem do tempo.

Corpos ainda não identificados

Em uma área isolada do cemitério La Esperanza, em La Guaira, coveiros enterraram mais de 150 corpos ainda não identificados desde os terremotos, segundo relatos no local de jornalistas da agência de notícias AFP.

Cruzes brancas simples, com pequenos buquês aos pés, marcavam uma longa fileira de sepulturas individuais. Cada uma tinha a mesma data de falecimento: 24 de junho de 2026.

As autoridades informaram que 190 prédios foram destruídos e pelo menos 856 outros sofreram danos graves, incluindo vários hospitais. Algumas pontes e estradas permanecem intransitáveis, dificultando os esforços de socorro.

O aeroporto internacional próximo a Caracas ainda está fechado para voos comerciais devido aos danos sofridos durante os tremores.

Rodríguez nega distúrbios em meio à tragédia

A Venezuela já vinha enfrentando uma crise econômica e turbulência política que deixaram a infraestrutura e os serviços de saúde precários. A ONU estima que os terremotos causaram 6,7 bilhões de dólares (R$ 39 bilhões) em danos - o equivalente a 6% do PIB venezuelano.

Muitos venezuelanos criticaram a reação do governo à tragédia até a chegada das equipes internacionais. A presidente interina do país, Delcy Rodríguez, alega ter enviado milhares de funcionários públicos e equipes de resgate para ajudar a população.

Neste domingo, ela descartou as preocupações com possíveis distúrbios após os terremotos. "Não haverá agitação social aqui, o que temos é uma profunda solidariedade social", disse Rodríguez durante uma cerimônia militar que marcou o Dia da Independência do país.

Vigílias e homenagens

Em Caracas e La Guaira, muitas pessoas compareceram a missas e atos públicos para lembrar os que morreram e os que ainda estão desaparecidos.

Centenas de pessoas nas duas cidades prestaram homenagem, em vigílias, às pessoas mortas e expressaram solidariedade aos milhares de feridos e àqueles que perderam suas casas, principalmente na devastada região norte de La Guaira.

Em Caracas, estudantes, ativistas, familiares de presos políticos e outras pessoas se reuniram em uma praça da Universidade Central da Venezuela (UCV), a principal do país, para orar pelos falecidos e acender velas em sua memória.

rc/ra (DPA, AFP, EFE)

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