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Morre Luiz Carlos Barreto, referência do cinema brasileiro, aos 98 anos

Cineasta revolucionou o audiovisual brasileiro, assinou clássicos indicados ao Oscar e marcou a história cultural do país

22 jul 2026 - 12h22
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O cinema brasileiro perdeu um de seus maiores pilares. Luiz Carlos Barreto, lendário produtor, diretor e fotógrafo, faleceu na madrugada desta quarta-feira (22), aos 98 anos. Familiares confirmaram a morte do cineasta, que enfrentava problemas de saúde desde março de 2024. Na ocasião, ele sofreu uma queda no Ceará. O produtor estava internado em um hospital no Rio de Janeiro desde a última terça-feira.

Cinema brasileiro em luto: Morre Luiz Carlos Barreto
Cinema brasileiro em luto: Morre Luiz Carlos Barreto
Foto: Victor Chavez/Getty Images / Perfil Brasil

Conhecido carinhosamente como Barretão, ele construiu uma trajetória impecável no cinema brasileiro ao longo de seis décadas. A princípio, sua atuação no movimento do Cinema Novo revolucionou a linguagem audiovisual do país nos anos 1960. Formado em Letras, ele iniciou a carreira profissional no jornalismo e no fotojornalismo. Nesse período, assinou a direção de fotografia de obras fundamentais, como "Vidas Secas" (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha.

No entanto, a paixão pelo cinema brasileiro nasceu durante uma viagem a Paris. Na ocasião, 'Barretão' decidiu acompanhar a futura esposa, Lucy Barreto, que estudava piano na capital francesa. Durante uma entrevista concedida em 2023, o produtor relembrou o início marcante dessa jornada amorosa e profissional:

"Descobri que ela estava se interessando por um armênio. Então, me mandei para Paris para lutar pelo meu amor. Cheguei e me matriculei no IDHEC (Instituto de Altos Estudos Cinematográficos). Ao final de três meses, estava achando o curso meio blá-blá-blá e aproveitei minha carteira de repórter para visitar estúdios de filmagem. Passei a acompanhar filmagens, conversar com diretores e produtores. Foi a minha faculdade de cinema."

Sempre atento às oportunidades, o cineasta fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas em maio de 1963, incentivado pelo banqueiro José Luiz de Magalhães Lins. Com isso, a produtora impulsionou clássicos atemporais do cinema brasileiro como "Garrincha — Alegria do Povo" (1963), de Joaquim Pedro de Andrade, "A Hora e Vez de Augusto Matraga" (1965), de Roberto Santos, e "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" (1969), de Glauber Rocha.

Em síntese, ao longo de 60 anos de atividade, o produtor viabilizou mais de 80 realizações para o cinema brasileiro. O maior êxito comercial de sua carreira foi o longa "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), dirigido por seu filho Bruno Barreto. A adaptação da obra de Jorge Amado atraiu quase 11 milhões de espectadores às salas de cinema em todo o território nacional.

Do mesmo modo, a família Barreto cravou seu nome no cenário internacional ao conquistar duas indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A produtora obteve o feito com "O Quatrilho" (1995), dirigido por Fábio Barreto, e "O Que É Isso, Companheiro?" (1997), sob o comando de Bruno.

Nesse ínterim, a família enfrentou momentos dolorosos. Em 2009, Fábio sofreu um grave acidente automobilístico logo após o lançamento do filme "Lula, o Filho do Brasil". O cineasta permaneceu dez anos em coma e faleceu em 2019, aos 62 anos. Atualmente, a produtora segue sob a coordenação da filha Paula Barreto.

Engajamento político e lutas pelo setor cultural

Em contrapartida às câmeras, Barretão manteve viva sua veia combativa e engajada. Em 2019, o produtor discursou no STF durante audiência pública sobre mudanças na estrutura do Conselho Superior de Cinema. Já em 2022, aos 94 anos, reuniu-se com diversos artistas para articular a recriação do Ministério da Cultura.

Paralelamente às articulações políticas, manteve parcerias históricas até o fim da vida, como o trabalho ao lado do diretor Cacá Diegues. Juntos, eles realizaram o clássico "Bye Bye Brasil" (1980) e o longa "Deus Ainda É Brasileiro", continuação do sucesso de 2003 estrelado por Antônio Fagundes.

Por fim, a dedicação integral à arte, a saúde do produtor inspirou cuidados intensivos nos últimos anos. Em maio de 2025, sua companheira Lucy desabafou sobre a rotina de cuidados médicos em casa:

"Minha vida, como diriam os franceses, está totalmente bouleversé (virada de avesso, na tradução livre). De repente, eu tenho um exército dentro de casa, com técnicos de enfermagem, fisioterapeuta, cuidador. Está muito difícil, mas ele está lutando como um bom sertanejo que é. Tive a felicidade de viajar muito em minha vida. Chegou o momento de ficar quieta e cuidar do meu querido, do meu Barretinho. Todo mundo chama ele de Barretão, mas para mim, ele é Barretinho. São mais de 70 anos de mãos dadas."

Em suma, o legado de Luiz Carlos Barreto permanece como uma das fundações mais sólidas do audiovisual brasileiro, inspirando gerações de cineastas e contadores de histórias.

Perfil Brasil
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