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Moraes determina abertura de inquérito para apurar suposta calúnia de Flávio Bolsonaro contra Lula

Decisão do ministro do STF atende pedido da Polícia Federal para apurar suposto crime de calúnia em redes sociais

15 abr 2026 - 10h11
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O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal, formalizou a abertura de um inquérito policial para investigar uma suspeita de calúnia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. O foco da investigação recai sobre declarações feitas pelo parlamentar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A determinação judicial foi publicada na última segunda-feira. O magistrado tomou a decisão após uma solicitação direta da Polícia Federal. O pedido também contou com o respaldo oficial da Procuradoria-Geral da República através de um parecer favorável.

Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes
Foto: Rosinei Coutinho/STF / Perfil Brasil

Entenda o pedido da Polícia Federal ao STF

A representação enviada ao Supremo detalha que a conduta sob análise ocorreu na rede social X. Em janeiro deste ano, o senador teria utilizado sua conta pessoal para realizar uma publicação específica. Na postagem, Flávio associou imagens de Nicolás Maduro, atual presidente da Venezuela, à figura de Lula. O texto publicado continha afirmações graves sobre o cenário político internacional e possíveis crimes. O conteúdo rapidamente ganhou repercussão na plataforma digital e motivou a reação das autoridades de segurança.

A Polícia Federal destacou trechos que considerou passíveis de punição legal. Na mensagem compartilhada pelo senador, constava a frase de que o atual presidente seria denunciado em breve. O texto dizia textualmente que "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…". Esse conteúdo foi sublinhado por Moraes em sua argumentação jurídica. O ministro considerou que o alcance da publicação potencializa o impacto das acusações proferidas pelo parlamentar.

As acusações citadas na decisão de Moraes

O ministro ressaltou que a Polícia Federal sustentou que as ofensas foram além da crítica política comum. Segundo o documento, após Flávio afirmar que o presidente seria delatado, ele prosseguiu listando delitos pesados. A lista incluía a prática de crimes como tráfico internacional de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro e suporte a organizações terroristas. A menção a fraudes em processos eleitorais também foi considerada um ponto crítico para a abertura da investigação oficial.

A decisão de Moraes enfatiza a natureza pública do meio utilizado para a divulgação das mensagens. Ele destacou a gravidade de utilizar o ambiente virtual para propagar tais alegações. O magistrado pontuou que "trata-se, portanto, de publicação realizada em ambiente virtual público, acessível a milhares de pessoas, por meio da qual se imputa fatos criminosos ao Presidente da República". Para a justiça, a ampla visibilidade das redes sociais exige uma responsabilidade proporcional por parte dos agentes públicos e eleitos.

Prazo de 60 dias para diligências da PF

Com a abertura formal do inquérito, o caso retorna para o controle da autoridade policial. O ministro determinou o envio imediato dos autos para que a Polícia Federal adote as providências cabíveis. O objetivo é colher provas e depoimentos que possam esclarecer se houve intenção deliberada de caluniar o chefe do Executivo. O prazo estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal para a conclusão dessas etapas iniciais é de 60 dias. Somente após esse período o relatório final será encaminhado novamente para análise jurídica.

O inquérito deve apurar se as falas do senador estão protegidas pela imunidade parlamentar ou se configuram crime comum. A defesa do senador ainda não se manifestou formalmente sobre os detalhes da abertura da investigação. O caso adiciona mais um capítulo à tensão jurídica entre membros da família Bolsonaro e o Poder Judiciário. Enquanto isso, a Polícia Federal deve seguir o cronograma de diligências técnicas para analisar o perfil do senador e a repercussão gerada pelo post mencionado no processo.

Perfil Brasil
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