'Misoginia, racismo e discriminação', diz Alexandre de Moraes sobre morte de Marielle Franco
Relator do processo no Supremo destaca que assassinato foi planejado para eliminar oposição política e reafirma provas contra os irmãos Brazão
O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um dia histórico nesta quarta-feira (25) com o julgamento final dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, apresentou um voto contundente, reafirmando que o crime teve motivação política e foi planejado por quem detinha o controle das milícias no Rio de Janeiro. Segundo o ministro, a execução não foi apenas um assassinato, mas um recado violento carregado de preconceito.
Inicialmente, Moraes rejeitou as questões preliminares apresentadas pelas defesas, com o objetivo de contestar aspectos técnicos do processo."Eu já, desde logo, afasto as preliminares de incompetência do STF, de inépcia da inicial, de inexistência de justa causa, também afasto a preliminar em relação à nulidade da colaboração premiada".
Durante a leitura de seu voto, Moraes destacou que a escolha de Marielle como alvo foi estratégica. O ministro afirmou que "houve a escolha de um alvo que seria uma opositora política" e que os mandantes buscavam eliminar quem atrapalhava seus interesses financeiros em loteamentos irregulares. Ele também rebateu a ideia de que os acusados apenas conheciam criminosos, sendo enfático ao dizer que "eles não tinham só contato com a milícia, eles eram a milícia", reforçando o vínculo entre o poder político e o crime organizado.
O que motivou o crime contra Marielle Franco?
Moraes também trouxe à tona o papel do preconceito no crime, mencionando que os envolvidos não esperavam a repercussão mundial que o caso tomou. Para o relator, a motivação política se misturou com "misoginia, racismo e discriminação", já que os mandantes acreditavam que a morte de uma mulher preta e pobre não causaria comoção. O julgamento segue com os votos dos demais ministros da Primeira Turma, enquanto as defesas dos réus continuam negando a autoria e questionando as provas apresentadas.