Mensagem de Papa Francisco contra ódio e intolerância no Brasil é vista como política por militantes
Declaração veio a quatro dias do 2º turno das eleições e foi absorvida por petistas e bolsonaristas
Uma mensagem do papa Francisco ao povo brasileiro durante audiência geral na manhã desta quarta-feira, 26, no Vaticano, teve grande repercussão nas redes sociais.
Ao recordar a beatificação de Benigna Cardoso da Silva, criança de 13 anos morta ao resistir a uma tentativa de estupro nos anos 1940, o pontífice disse que "reza para que Nossa Senhora Aparecida livre o povo brasileiro do ódio, da intolerância e da violência".
De um lado, apoiadores do ex-presidente Lula entenderam a mensagem de Francisco como uma crítica indireta ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Já alguns apoiadores do candidato à reeleição afirmaram que o sermão do papa significava que ele era, em suas palavras, "comunista" e que a mensagem serviria, na realidade, para o PT.
A religião tem sido um dos pontos centrais da campanha presidencial. No dia 12 de outubro, militantes bolsonaristas causaram tumulto no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, durante visita do presidente ao local.
Mas esse não é um caso isolado: o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, foi chamado de "comunista" por usar roupas vermelhas, cor usada pelos cardeais.