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Médico diz que foi ameaçado após denunciar 'kit Covid'

Profissional afirmou que foi coagido por diretor-executivo da Prevent Senior

22 set 2021 08h16
| atualizado às 08h25
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O médico responsável por denunciar o escândalo do 'kit Covid' envolvendo a Prevent Senior afirmou que foi ameaçado e coagido por Pedro Benedito Batista Junior, diretor-executivo da operadora de plano de saúde, que será ouvido pela CPI da Covid nesta quarta. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

Prevent Senior é acusada de realizar estudo irregular
Prevent Senior é acusada de realizar estudo irregular
Foto: Divulgação

De acordo com a publicação, um dos médicos que denunciou o esquema gravou uma ligação telefônica com Batista Júnior após as irregularidades virem à tona na imprensa. O profissional diz que a conversa foi em "tom de intimidação".

O denunciante realizou um Boletim de Ocorrência contra Batista Junior. Os documentos também já estão em posse da CPI da Covid. O médico diz que os profissionais nos hospitais da Prevent Senior eram obrigados a prescrever medicamentos do 'kit Covid', mesmo sem comprovação científica, sob penda de demissão, e que ele foi obrigaado a trabalhar mesmo estando infectado pela covid-19.

Entenda o caso

 Um grupo de 15 médicos que diz ter trabalhado na Prevent Senior encaminhou para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado um dossiê no qual informa que integrantes do chamado "gabinete paralelo" do governo de Jair Bolsonaro usaram a operadora de saúde como uma espécie de laboratório para comprovar a tese de que o chamado kit covid (hidroxicloroquina e azitromicina) era eficiente contra a doença e revelaram que pacientes não foram informados do tratamento experimental, o que é ilegal. O documento, assinado pelos profissionais, foi revelado pela GloboNews

Em entrevista à emissora de TV, médicos acrescentaram que a operadora de saúde omitiu mortes pela doença num estudo na qual pretendia comprovar a eficácia do kit covid. Segundo os profissionais, nove pacientes vieram a óbito, mas o estudo relata que foram apenas dois casos. Esse estudo foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro como prova da sua falsa tese de que as pessoas não precisavam fazer quarentena ou usar máscara porque a combinação de cloroquina e azitromicina cura a doença, o que contraria a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O documento sob análise da CPI não é apócrifo. Dele constam os nomes dos 15 médicos e uma série de mensagens de WhatsApp apresentadas como prova. Uma delas é do diretor da Prevent, Fernando Oikawa. "Iremos iniciar o protocolo de HIDROXICLOROQUINA + AZITROMICINA. Por favor, NÃO INFORMAR O PACIENTE ou FAMILIAR, (sic) sobre a medicação e nem sobre o programa", orientou o executivo no grupo de médicos, segundo revelou a GloboNews.

O dossiê apresentado aos senadores alerta que o estudo foi feito com mais de 700 pacientes - e não os 200 declarados no projeto inicial. Informa ainda que a média de idade das pessoas que foram submetidas à pesquisa é superior a 60 anos, o que sugere a inclusão de grande número de pessoas idosas "e, portanto, grupo considerado de maior risco da covid-19".

*Com informações do Estadão Conteúdo

Fonte: Equipe portal
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