Mbappé, Vini e Konaté escondem mensagem de apoio a Ceuta antes de jogo do Real Madrid
Jogadores enrolaram ou retiraram camisetas com o slogan 'Todos somos caballas' antes da partida contra o Elche; gesto ocorre após crise migratória que levou milhares de pessoas a Ceuta
Antes do jogo contra o Elche, Mbappé, Vinícius Júnior e Konaté, do Real Madrid, causaram polêmica ao enrolar e cobrir a mensagem "Todos somos caballas" em suas camisas, ocultando o apoio oficial a Ceuta. A cidade autônoma espanhola enfrenta uma grave crise migratória e tensões com o Marrocos após a entrada de milhares de imigrantes. A atitude do trio contrastou com a adesão de outros atletas na La Liga e evidenciou divergências sobre a campanha, que não contou com a participação do Barcelona.
Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté enrolaram suas camisetas antes da partida do Real Madrid contra o Elche, na terça-feira (16/9), cobrindo parcialmente a mensagem de apoio ao povo de Ceuta.
Ceuta é uma cidade autônoma espanhola na costa do norte da África, na fronteira com o Marrocos e separada da Espanha continental pelo Estreito de Gibraltar.
Os jogadores dos dois times entraram em campo no estádio do Elche, o Martínez Valero, usando camisetas brancas com a mensagem "Todos somos caballas" — que pode ser traduzida como "Somos todos ceutenses" — acompanhada de referências à cidade autônoma espanhola.
Enquanto a maioria dos jogadores usava as camisetas sem alterações, Mbappé, Vinícius e Konaté as enrolaram até a altura do peito, escondendo parte do slogan.
Mbappé e Vinícius então retiraram as camisetas antes do cumprimento entre os jogadores, enquanto Konaté permaneceu com a sua por mais tempo. Os companheiros de equipe e os jogadores do Elche continuaram usando as camisetas durante toda a cerimônia pré-jogo.
Esta não é a primeira vez que o Real Madrid demonstra apoio a Ceuta. Antes do confronto do clube pela Liga dos Campeões contra a Inter de Milão, no estádio Santiago Bernabéu, em 8 de setembro, torcedores da arquibancada sul exibiram cartazes com o brasão da cidade autônoma, enquanto o restante do estádio participou da homenagem com uma salva de palmas.
A iniciativa fez parte de uma demonstração mais ampla de apoio a Ceuta, após uma grande crise migratória no território espanhol, quando milhares de pessoas entraram no país vindas do Marrocos.
Pelo menos 72 mil migrantes atravessaram do Marrocos para Ceuta nos dias 30 e 31 de julho. A maioria nadou ao redor de uma cerca na fronteira, e pelo menos 100 pessoas morreram durante a travessia, segundo números divulgados pelo prefeito de Ceuta.
Embora a maioria tenha retornado, até 5 mil pessoas permanecem em acampamentos improvisados ou dormindo nas ruas e praias da cidade, provocando tensões na cidade autônoma espanhola no norte da África.
Moradores manifestaram preocupações com a segurança, e alguns destruíram abrigos e bloquearam a chegada de ajuda destinada aos migrantes.
Os representantes dos jogadores foram procurados para comentar o episódio.
O episódio ocorreu pouco antes de uma noite dramática para o Real Madrid, que se recuperou depois de desperdiçar uma vantagem de dois gols e venceu o Elche por 3 a 2, com Carlos Espí marcando o gol da vitória nos acréscimos.
Mbappé estava entre os jogadores do Real Madrid que marcaram, enquanto Vinícius foi titular.
O gesto antes da partida também evidenciou as diferentes posturas de jogadores e clubes em relação à campanha de apoio a Ceuta.
O Barcelona não participou da iniciativa, enquanto jogadores de outras partidas da La Liga usaram as camisetas conforme previsto.
A crise em Ceuta
Milhares de migrantes cruzaram recentemente a fronteira entre o Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África. O movimento gerou fortes reações, tanto na Espanha quanto na União Europeia, aumentando ainda mais as tensões diplomáticas entre Madri e Rabat.
Autoridades espanholas calculam que cerca de 60 mil pessoas conseguiram chegar ao território no final de julho, por via terrestre ou marítima.
Vídeos e imagens mostrando milhares de pessoas nadando em direção à cidade de Ceuta viralizaram no início de agosto.
As autoridades confirmaram a morte de pelo menos 57 pessoas que tentavam chegar ao território, que se encontra há séculos sob o controle espanhol.
Após um recente aumento das tentativas de cruzamento da fronteira, as autoridades locais solicitaram ajuda ao governo central em Madri, que destacou suas forças armadas para reforçar a segurança em Ceuta e na sua cidade-irmã de Melilla.
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