Lula telefona para Jaques Wagner e pede explicações após operação da PF
O presidente da República conversou com o líder do governo no Senado, que se diz disposto a depor e justifica milhares de dólares e euros achados em imóveis
O cenário político na capital federal registrou momentos de forte tensão nos bastidores do Poder Executivo nesta quinta-feira. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, realizou um telefonema direto para o líder do seu governo na Câmara, o senador Jaques Wagner. De acordo com interlocutores que acompanham a rotina do Palácio do Planalto, o chefe do Estado defendeu abertamente que o correligionário preste todos os esclarecimentos necessários e não deixe margem para dúvidas diante da opinião pública.
Jaques Wagner responde
O parlamentar baiano manifestou a aliados próximos a sua total disposição para agendar um depoimento formal perante os delegados da Polícia Federal. O objetivo do depoimento consiste em detalhar a natureza de suas interações com o cidadão Augusto Lima. Ambos os investigados figuraram como alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça. A ofensiva policial integra os desdobramentos ostensivos de uma nova etapa da Operação Compliance Zero.
Contudo, as linhas de investigação apontam que o político teria se beneficiado de repasses irregulares originados da instituição financeira Master. O petista rechaçou integralmente o teor das suspeitas levantadas pelos investigadores. Pouco tempo depois, a equipe de comunicação do senador emitiu uma nota oficial detalhando a procedência de montantes significativos em moeda estrangeira retidos em endereços vinculados ao investigado.
A inspeção policial localizou o valor em espécie de 55 mil dólares e outros 33 mil euros sob a posse de pessoas ligadas ao político. A defesa técnica explicou em documento oficial que o dinheiro guardado provém do acúmulo de diárias administrativas legais pagas pelo erário público. Os recursos financeiros haviam sido concedidos e devidamente declarados para a realização de missões internacionais de representação do parlamento, mas acabaram não sendo despendidos durante as viagens ao exterior.
Da mesma forma, o comunicado oficial reforça que o senador não figura na condição de réu e não recebeu nenhuma denúncia formalizada pelo Ministério Público. Os assessores pontuaram que o imóvel residencial citado nos relatórios da corporação policial nunca fez parte da declaração de bens ou do patrimônio imobiliário do congressista. Por fim, o político reiterou o seu respeito absoluto pelas instituições democráticas e pela condução dos trabalhos de checagem dos órgãos fiscalizadores.
Leia na íntegra:
"Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais."
Da mesma forma, o posicionamento foi oficializado em um documento encaminhado aos portais de notícias de Brasília. Confira a íntegra da nota:
"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.
Assessoria do Senador Jaques Wagner"
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