Lula participa na Espanha de fórum progressista contra "onda reacionária"
Cerca de 15 líderes internacionais participam de encontro visando buscar resposta comum à ascensão de "onda reacionária". Neste ano, evento coincide com reunião da extrema direita europeia em Milão.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reúnem neste sábado (18/04) em Barcelona líderes progressistas internacionais para defender a democracia e buscar uma resposta comum à ascensão da "onda reacionária".
Cerca de 15 líderes internacionais participam do 4° Encontro em Defesa da Democracia, fórum lançado em 2024 pelo Brasil e pela Espanha, que neste ano coincide com um encontro de líderes e apoiadores da extrema direita europeia em Milão.
"Hoje, essa paz e os valores que a sustentam estão sendo claramente atacados por essa onda reacionária, por autoritários, pela desinformação - males que ameaçam a força de nossas instituições democráticas", destacou Sánchez em coletiva de imprensa nesta sexta-feira ao lado de Lula -presidente brasileiro realiza turnê na Europa, que inclui também Portugal e Alemanha.
Embora ambos os líderes tenham se destacado no cenário global por se oporem frequentemente às políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, Lula negou que o encontro seja uma reunião "anti-Trump".
"Quando há retrocesso, surge um Hitler"
O presidente brasileiro pediu esforços para fortalecer a democracia, que atualmente se encontra em declínio, em meio a tensões crescentes na ordem internacional.
"Quero saber onde falhamos como democratas. Quando as instituições democráticas deixaram de funcionar?", questionou Lula, referindo-se à ascensão do "extremismo negacionista".
"O que queremos é discutir se podemos encontrar uma solução para fortalecer o processo democrático em todo o mundo, para que não permitamos um retrocesso. Porque quando há um retrocesso, surge um Hitler", acrescentou na sexta-feira.
Entre os esperados para participar deste encontro estão os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro; da África do Sul, Cyril Ramaphosa; do Uruguai, Yamandú Orsi; do México, Claudia Sheinbaum; e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
A Alemanha é representada no evento pelo vice-chanceler e ministro das Finanças, Lars Klingbeil. "Estou muito grato pelo convite de Pedro Sánchez para este encontro; é um sinal importante em um mundo cada vez mais dividido", disse o alemão, antes de destacar a importância da solidariedade e da cooperação internacional.
"Buscamos a cooperação; estou convencido de que a cooperação é mais forte e, hoje, entre representantes progressistas de governos, discutiremos o que podemos fazer para fortalecer a ordem internacional", acrescentou.
"Degelo" entre Espanha e México
A presença de Sheinbaum, no entanto, carrega um simbolismo especial, já que esta é sua primeira visita à Europa desde que assumiu a presidência em outubro de 2014.
Representa mais um passo no degelo das relações entre Espanha e México, tensas devido à exigência mexicana de um pedido de desculpas pela conquista espanhola das Américas.
Após atritos diplomáticos do passado, ambos os governos fizeram recentemente gestos de distensão, e o rei Felipe VI da Espanha reconheceu em março que abusos ocorreram durante a conquista.
Sheinbaum, por sua vez, saudou o "gesto de reaproximação" do monarca.
Este encontro também coincide com o Fórum de Mobilização Progressista Global (GPM), uma reunião de forças de esquerda, movimentos trabalhistas e pensadores que acontece simultaneamente em Barcelona.
Sánchez - que também é presidente da Internacional Socialista - e Lula estão entre os palestrantes programados para a sessão de encerramento no sábado. Com esses encontros, o primeiro-ministro espanhol reforça sua oposição a Trump, com quem entrou em conflito por causa dos gastos militares e da guerra no Irã, e ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, alvo de suas duras críticas, primeiro pela guerra em Gaza e depois pela guerra desencadeada no Líbano.
"Acho que a posição espanhola está na vanguarda da Europa, ou seja, confrontando o que eles fizeram com o Irã", enfatizou Gustavo Petro na sexta-feira em Barcelona, em um evento organizado pela emissora pública RTVE e pela agência de notícias EFE.
O presidente colombiano, cujas relações com Trump melhoraram após um encontro na Casa Branca em fevereiro e um telefonema em março, culpou Netanyahu por ter empurrado o presidente americano para "um bloco muito destrutivo contra a humanidade".
"Trump acaba em um bloco muito destrutivo contra a humanidade, impulsionado por Netanyahu, e não o contrário. Ele é impulsionado por Netanyahu, que tem amigos mais fortes no governo [americano] do que o próprio Trump", explicou.
md (EFE, ots)
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