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Lula defende enriquecimento de urânio e diz que Brasil não pode andar de "cabeça baixa"

Durante visita a instalações da Marinha em Iperó, presidente defendeu investimentos em tecnologia nuclear e a conclusão do submarino de propulsão nuclear

19 ago 2026 - 15h46
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a soberania nacional nesta quarta-feira (19). Durante uma visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), o presidente afirmou que o Brasil precisa investir em tecnologia e ter condições de competir internacionalmente sem se colocar em posição de inferioridade diante de outras potências.

Lula defende enriquecimento de urânio e diz que Brasil não pode andar de “cabeça baixa”
Lula defende enriquecimento de urânio e diz que Brasil não pode andar de “cabeça baixa”
Foto: Reprodução / YouTube / Perfil Brasil

Lula também defendeu investimentos no submarino brasileiro de propulsão nuclear e no enriquecimento de urânio para fins pacíficos, especialmente para aplicações relacionadas à produção de energia.

"Soberania não é só discurso. É estar preparado pra eles saberem que podemos dizer não, que podemos competir, o que não pode é ser cabeça baixa vida inteira", afirmou o presidente.

Lula cobra previsão de recursos para submarino nuclear

Durante a visita ao Laboratório de Enriquecimento Isotópico da Marinha, Lula afirmou que o projeto do submarino nuclear precisa ter uma previsão orçamentária que permita sua continuidade.

O programa está em desenvolvimento desde 2007. Segundo o presidente, mesmo com outras prioridades no orçamento, como saúde e educação, é necessário garantir recursos para um projeto considerado estratégico para a soberania brasileira.

"Uma coisa dessa não pode ficar à mercê da volatilidade do nosso orçamento. Se a gente quer submarino de verdade, se é importante pra soberania nacional, para o Brasil ser respeitado no mundo, a gente tem que dar continuidade, estamos falando do futuro, do emprego qualificado, enriquecimento de uranio, saúde, energia", declarou Lula.

O presidente estava acompanhado do ministro da Defesa, José Múcio, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Brasil pode exportar urânio enriquecido

Lula também defendeu que o Brasil avance na capacidade de enriquecer urânio e possa fornecer esse material a outros países para utilização em atividades nucleares pacíficas.

Ao falar sobre o submarino, o presidente relacionou o domínio tecnológico ao desenvolvimento de novas possibilidades para o país.

"O submarino é importante para que a gente tenha tecnologia pra dar e pra vender, para que a gente possa enriquecer urânio para fins pacíficos como está na nossa constituição e pra vender para o mundo", afirmou.

O tema envolve não apenas tecnologia e defesa, mas também energia e desenvolvimento industrial. Nesse sentido, Lula ressaltou que o conhecimento produzido no setor pode contribuir para a geração de empregos qualificados e para aplicações civis da tecnologia nuclear.

O que diz a Constituição sobre energia nuclear?

A Constituição Federal estabelece que as atividades nucleares desenvolvidas no Brasil devem ter fins pacíficos. O texto também determina que a União mantenha o monopólio sobre atividades relacionadas ao setor nuclear, incluindo o enriquecimento e o reprocessamento de materiais nucleares.

A comercialização de materiais nucleares com outros países, por sua vez, está sujeita às regras específicas do setor e às autorizações e controles previstos na legislação brasileira.

Lula volta a falar sobre soberania nacional

A defesa da soberania nacional tem ocupado espaço importante nos discursos recentes de Lula. O presidente tem afirmado que o Brasil deve manter autonomia para tomar decisões internas e conduzir suas relações internacionais. O tema ganhou ainda mais destaque após os embates do governo brasileiro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Lula tem defendido o diálogo com outros países, mas também afirma que o Brasil não deve aceitar interferências externas em decisões que considera de responsabilidade nacional.

Nesse cenário, o investimento em tecnologia nuclear e a continuidade do projeto do submarino aparecem, no discurso do presidente, como parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da capacidade tecnológica e da autonomia brasileira.

Perfil Brasil
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