Lula critica as ameaças de Trump e diz que líderes devem buscar respeito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma crítica contundente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma entrevista ao jornal espanhol El País publicada nesta quinta-feira, dizendo que os líderes mundiais deveriam buscar o respeito em vez de governar pelo medo.
"Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país", disse Lula ao El País, referindo-se à ameaça pública do presidente norte-americano, em 7 de abril, de acabar com a civilização iraniana como parte da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
"Ele não foi eleito para isso, e sua Constituição não permite isso."
Lula, que deve se encontrar com outro crítico de Trump, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, na sexta-feira em Barcelona, chamou a abordagem do presidente dos EUA à política externa de "um jogo muito equivocado" impulsionado pela suposição de que o poder militar e econômico de Washington permite que ele estabeleça as regras.
"Ninguém tem o direito de amedrontar os outros", acrescentou Lula. "É essencial que os poderosos assumam maior responsabilidade pela manutenção da paz."
O presidente brasileiro se descreveu como um líder que prefere o respeito ao medo.
Ele também pediu eleições livres na Venezuela sem a interferência de Washington, depois de um ataque surpresa em 3 de janeiro pelas forças especiais dos EUA que capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas.
"O que não pode acontecer é os EUA acharem que podem governar a Venezuela. Isso não é normal; isso não tem lugar em uma democracia", disse Lula.
Lula entrou em conflito com Trump com frequência na última década. Seu principal rival na última eleição, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que agora está cumprindo uma sentença de 27 anos por planejar um golpe para permanecer no poder, era um aliado próximo e apoiador de Trump.
Lula, de 80 anos, também fez alusão à idade avançada dele e de Trump ao lembrar como ele havia pedido moderação quando Trump, de 79 anos, impôs pesadas tarifas comerciais ao Brasil e sanções a juízes do Supremo Tribunal Federal responsáveis pelo caso de Bolsonaro. Posteriormente, as sanções foram retiradas e as tarifas foram reduzidas.
"Dois países governados por dois senhores de 80 anos devem falar com muita maturidade", disse Lula.
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