Líder do PL nega acordo sobre anistia e pede desculpas ao presidente da Câmara após ocupação
Depois de dois dias de tensão no plenário da Câmara dos Deputados, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi à tribuna nesta quinta-feira (8) para pedir desculpas públicas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O gesto buscou encerrar o impasse provocado por deputados da legenda que haviam bloqueado votações em protesto.
O deputado afirmou que errou nos bastidores e que a reconciliação interna é essencial. "Não fui correto no privado, mas faço questão de vir em público e te pedir perdão", declarou, cercado por parlamentares que, horas antes, ocupavam a Mesa Diretora da Casa.
Houve acordo sobre anistia?
Durante o pronunciamento, Sóstenes rejeitou a hipótese de um acerto com o presidente da Câmara para incluir o projeto de anistia na pauta. "O presidente Hugo Motta não foi chantageado por nós. Ele não assumiu compromisso de pauta nenhuma conosco." Segundo ele, as tratativas ocorreram apenas entre líderes partidários.
O deputado ainda afirmou que o movimento que paralisou os trabalhos foi impulsionado por interesses políticos ligados às eleições de 2026. "Lamentavelmente, esta Casa também entrou no clima de antecipar um processo eleitoral feito pelo atual governo."
Em resposta à crise, Hugo Motta reafirmou sua intenção de punir os parlamentares envolvidos na ocupação do plenário. Ao chegar à Câmara, garantiu que "providências serão tomadas até o final do dia de hoje."
Críticas ao Judiciário e pedido por reconciliação
Em seu discurso, o líder do PL criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo que o Congresso precisa manter sua autonomia. "Um ministro do STF, dois ministros do STF que nunca tiveram um voto, desconsiderar um Congresso Nacional inteiro é a desmoralização dessa casa."
O deputado também voltou a defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que o protesto tinha motivação institucional, e não pessoal. "Nossa atividade é muito maior, foi muito maior do que a prisão de um homem inocente como o presidente Bolsonaro."
Ao concluir, Sóstenes fez um apelo pela pacificação: "Nós precisamos de uma reconciliação nesta Casa, de boa convivência para dar exemplo para o Brasil."