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Licença-paternidade diminui risco de depressão para homens

22 jun 2026 - 17h05
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Direito à ausência remunerada do trabalho por tempo suficiente para cuidar dos filhos é questão de saúde pública, dizem cientistas. Segundo estudo na Suécia, há um "tempo ideal" para ficar em casa.A chegada de um filho abre um período bem documentado de vulnerabilidade emocional e psicológica para as mães. Pouco se sabe, entretanto, sobre o impacto que virar pai provoca nos homens.

Pressão financeira impede muitos pais de passarem mais tempo com filhos após nascimento, diz estudo
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Foto: DW / Deutsche Welle

Segundo um novo estudo, tirar uma licença remunerada após o nascimento do rebento pode ter um impacto decisivo também na saúde mental deles: os pais que não conseguem tirar o tempo necessário para cuidar dos filhos têm maior risco de desenvolver ansiedade e depressão.

As conclusões dos pesquisadores da Universidade Northwestern e do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie, em Chicago, foram publicadas na revista científica American Journal of Public Health.

De acordo com os cientistas, a licença-paternidade não é apenas um benefício trabalhista, mas também uma questão de saúde pública, com impacto profundo nas famílias e nas crianças.

Por outro lado, um segundo estudo, publicado na mesma revista e conduzido por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, conclui que uma licença-paternidade equilibrada — nem muito curta nem excessivamente longa — favorece o bem-estar psicológico dos pais.

Sintomas de ansiedade e depressão

Os pesquisadores analisaram dados da Pesquisa sobre a Paternidade em Ohio de 2022-2023, uma das fontes mais abrangentes sobre as experiências dos pais durante o período perinatal nos Estados Unidos.

Eles examinaram a relação entre o tipo de licença e os resultados de saúde mental utilizando instrumentos validados de triagem para depressão e ansiedade. Dos 4.290 pais de primeira viagem que participaram do estudo, 6,6% apresentavam depressão e 11% apresentavam ansiedade.

Entre os entrevistados, 15% não tiraram nenhum tipo de licença; 54% tiveram licença remunerada; 22%, licença não remunerada; e 9%, uma combinação de licença remunerada e não remunerada.

Ao analisar os resultados, os pesquisadores constataram que a licença não remunerada está associada ao aumento da ansiedade. Aqueles que recorreram a esse tipo de afastamento tinham 58% mais probabilidade de apresentar sintomas de ansiedade em comparação com os que tiveram licença remunerada.

Além disso, não tirar licença parental esteve fortemente associado a um maior risco para a saúde mental. Os pais que disseram ter desejado tirar licença, mas não o fizeram, apresentaram maior probabilidade de relatar sintomas tanto de depressão quanto de ansiedade.

Pressão financeira

Entre os pais que apresentavam sintomas de saúde mental deteriorada, 75% apontaram motivos financeiros para não solicitar a licença parental. Entre esse grupo, 75% apresentavam sintomas depressivos e 71% sintomas de ansiedade.

"Nossos resultados demonstram que a licença remunerada pode ajudar os novos pais na transição para a paternidade, oferecendo tempo e recursos para começar bem", afirmou Craig Garfield, autor principal do estudo e pediatra do Hospital Lurie.

A magnitude do problema nos Estados Unidos aparece em um estudo anterior de Garfield, publicado em 2025, que revelou que 64% dos homens tiram menos de duas semanas de licença após o nascimento do filho, enquanto 36% tiram mais de duas semanas.

Os resultados apontam oportunidades concretas tanto para formuladores de políticas públicas quanto para empregadores. Ampliar programas de licença parental remunerada, reduzir barreiras econômicas e normalizar o uso desse direito pelos pais poderia ter impacto mensurável na saúde da população, afirmou Garfield.

Um tempo ideal de licença?

Já no estudo do Instituto Karolinska, especialistas acompanharam 746 pais suecos por 18 meses, a partir de quando seus filhos tinham cerca de 9 meses de idade. Os participantes responderam a perguntas sobre sintomas depressivos no início do estudo e novamente numa sessão de acompanhamento, quando as crianças tinham cerca de 27 meses.

Como a saúde mental dos homens pode influenciar a duração da licença que solicitam, os pesquisadores levaram em conta os sintomas depressivos no início do estudo.

Também foram realizados ajustes considerando fatores como condições familiares e socioeconômicas, além da duração da licença parental da mãe.

Os dados indicaram que pais que tiram vários meses de licença-paternidade têm menor risco de desenvolver sintomas depressivos nos primeiros anos de vida dos filhos em comparação com aqueles que tiram apenas um período curto.

Além disso, pais que tiraram entre 14 e 40 semanas de licença apresentaram probabilidade significativamente menor de desenvolver sintomas de depressão do que aqueles que tiraram até quatro semanas.

Por outro lado, homens que tiraram entre 5 e 13 semanas não mostraram o mesmo padrão, assim como aqueles que se afastaram por mais de 40 semanas, em comparação com o grupo que tirou até quatro semanas.

"Nossos resultados sugerem que pais que tiram uma licença parental superior a 90 dias, mas que não ultrapassa 60% do total do tempo de licença disponível, podem ter melhor saúde mental", concluiu Michael Wells, professor do Departamento de Saúde da Mulher e da Criança do Instituto Karolinska.

ht/ra (EFE, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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