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LeTruck: Depois de fracassar nos carros, dono da Lecar agora promete caminhões no Brasil

Memorando de entendimento prevê montagem em regime SKD para até 10 mil veículos comerciais por ano

4 nov 2026 - 16h12
(atualizado às 16h30)
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Resumo
Após não conseguir produzir carros nacionais, a brasileira Lecar planeja montar caminhões leves elétricos e híbridos no país, projeto provisoriamente chamado de LeTruck. A empresa firmou acordo com parceiros chineses para importar kits em sistema SKD e uma linha de produção desativada da Ásia. Com investimento inicial previsto em cerca de R$ 48 milhões para maquinários, a meta é montar até 10 mil unidades anuais em médio e longo prazo, dependendo de aprovações do governo brasileiro.

A brasileira Lecar ainda não conseguiu cumprir a promessa de produzir e vender carros genuinamente brasileiros. Ainda assim, o fundador da empresa, Flávio Assis, autointitulado Elon Musk Brasileiro, sobe a aposta e agora quer entrar no segmento de caminhões leves elétricos e híbridos. Por enquanto, o novo veículo é chamado de LeTruck.

A empresa assinou um memorando de entendimento com parceiros chineses para viabilizar a nova frente de negócios. O plano prevê a construção de uma linha para montar os veículos em sistema SKD (Semi-Knocked Down) a partir de kits importados da Ásia. A capacidade produtiva, diz o empreendedor, será de 10 mil unidades por ano.

Assis aponta que, já que desenvolver e produzir do zero veículos no Brasil se mostrou um caminho mais tortuoso, a ideia agora é tirar a Lecar do papel por meio do que o empresário chama de "transferência de tecnologia e da cadeia de suprimentos de fabricantes da China".

O CEO da Lecar diz ainda que o plano de montagem de caminhões elétricos e híbridos no Brasil é de médio a longo prazo, sem especificar data.

No documento, traduzido com auxílio de IA, mostra como seria a produção dos caminhões em solo brasileiro
No documento, traduzido com auxílio de IA, mostra como seria a produção dos caminhões em solo brasileiro
Foto: Divulgação | Lecar / Estadão

Estrutura fabril da Lecar e produção em SKD

O planejamento industrial do projeto obtido pela reportagem indica a infraestrutura prevista para o País. O projeto exige área total de 168,5 mil metros quadrados, dos quais 65,1 mil m² serão destinados ao galpão de montagem principal.

A unidade será dimensionada para operar em um ritmo de produção de cinco veículos por hora, considerando 250 dias de trabalho por ano.

Na fase inicial, Assis diz que os veículos pesados e leves chegarão da China em kits SKD — com cabines já pintadas, estruturas de chassi, trem de força, componentes elétricos, acabamentos internos e externos. No Brasil, ele aponta que a fábrica fará o controle de qualidade, a montagem final dos conjuntos, o abastecimento de fluidos e a calibração estática e dinâmica.

Para validar os veículos antes da entrega, o projeto inclui ainda uma pista de testes privativa de 25,2 mil m² dotada de rampas de aclive, trechos de paralelepípedo, pista de torção e tanque de transposição de água. Vale dizer que o tamanho citado pelo empresário, equivalente e três campos de futebol, é limitado para um centro de testes, não permitindo, por exemplo, experimentações de alta velocidade.

A planta terá ainda, promete Assis, pátio com capacidade para armazenar até 90 caminhões pesados e 160 leves simultaneamente.

O orçamento estimado por ele para o maquinário da linha de montagem e equipamentos de testes soma 59,95 milhões de yuans (cerca de R$ 48 milhões na conversão direta), sem incluir custos de obras civis e infraestrutura de terrenos. Ainda que seja um projeto apenas de montagem de veículos, sem produção completa, o valor é bastante modesto comparado a outros projetos similares.

O cronograma prevê 14 meses para a conclusão das obras e 16 meses até o início da produção comercial (SOP).

Há no documento, inclusive, o projeto de envio das partes do caminhão para montagem SKD no Brasil
Há no documento, inclusive, o projeto de envio das partes do caminhão para montagem SKD no Brasil
Foto: Divulgação | Lecar / Estadão

Lecar vai importar linha de produção e admite que nome 'é feio'

Embora a proposta tome como base a estrutura de uma linha de montagem existente na Ásia, a Lecar impôs a eletrificação como condição para fechar o negócio. É o que contou entrevista exclusiva ao Jornal do Carro o fundador da empresa explicou o estágio atual das tratativas.

"Trata-se de uma planta desativada na China, mas ainda estamos em conversas iniciais. Solicitamos a adequação para a transição do caminhão para novas energias, seja híbrido ou elétrico. Se for híbrido ou 100% elétrico, nos interessa", revelou o empresário.

Vale destacar que o plano de importar uma linha de produção já usada para entrar em operação no Brasil torna o projeto mais complexo. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) precisa validar esse tipo de transação para garantir que seja, de fato, transferência de tecnologia e que os equipamentos estejam adequados à legislação local.

Assis também comentou sobre a identidade do prometido caminhão: "Pensamos em 'LeTruck', que poderia ser o nome, mas é feio. Vamos ter que ser mais criativos", admitiu.

Estadão
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