Jeep Avenger X BYD Dolphin Mini: qual é o melhor carro por R$ 120 mil?
Recém-chegado a combustão encarou o primeiro carro elétrico a figurar no top três dos mais vendidos do Brasil
Custando R$ 119.990, o SUV a combustão Jeep Avenger e o compacto elétrico BYD Dolphin Mini protagonizam um comparativo inusitado. Embora o modelo chinês se destaque em conforto interno e ergonomia urbana, o recém-lançado Avenger venceu o embate por apresentar maior porta-malas, acerto dinâmico superior para as ruas brasileiras e um pacote mais robusto de segurança ativa com sistemas de assistência ao motorista, sendo apontado como a opção mais versátil e completa pela mesma faixa de preço.
Há uma máxima no jornalismo automotivo na hora de comparar dois carros: fazer o embate entre modelos de uma mesma categoria ou que tenham propostas semelhantes. Já avisamos que não é o caso aqui.
Temos em mãos um comparativo pouco ortodoxo entre um carro a combustão recém-chegado ao mercado, o Jeep Avenger, e um modelo elétrico já veterano — o primeiro com a tecnologia a figurar no top três dos mais vendidos do País, o BYD Dolphin Mini.
O que eles têm em comum? Ambos são bastante viáveis ao dia a dia urbano. Acima de tudo, eles compartilham o mesmo preço: exatos R$ 119.990 quando falamos da versão de entrada do modelo da Jeep, a Altitude, e da topo de linha da marca chinesa, a GS. No mais, a distância entre os dois é grande.
Um é SUV, o outro, hatchback. Um é de uma marca há muito tempo estabelecida no Brasil, o outro é de uma novata. Um segue a identidade de design do restante da gama, o outro tem visual próprio até mesmo em relação aos outros carros da marca. Enfim, deu para entender o espírito.
Com tantas diferenças e uma semelhança crucial, os carros foram avaliados pela reportagem do Jornal do Carro por uma semana. Nesse período, comparamos diferentes aspectos: espaço e dimensões, vida a bordo, desempenho e dinâmica e, por fim, equipamentos e segurança.
Conheça os combatentes
Antes de ir às vias de fato, cabe detalhar quem são os carros combatentes. Lançado em agosto, o Jeep Avenger teve, em setembro, seu primeiro mês de vendas, ainda em ritmo de aquecimento, 1.870 licenciamentos e ficou em 37º lugar no ranking de emplacamentos do País.
O BYD Dolphin Mini, por outro lado, chegou ao mercado brasileiro em 2024 e, nesses mais de dois anos e meio de presença nacional, pode orgulhar-se de ser um campeão. Foi o primeiro carro elétrico a ocupar o posto de modelo mais vendido diretamente ao consumidor, pelo varejo.
Em setembro, ele foi pioneiro outra vez: o primeiro modelo com a tecnologia a entrar no top três do ranking geral de emplacamentos, ficando em segundo lugar, com 9.400 unidades — à frente dos consagrados Volkswagen T-Cross e do Fiat Argo.
1. Design e estilo: o critério "café com leite"
Nos comparativos do Jornal do Carro, o design é um quesito "café com leite", que não soma ponto justamente por depender demais da subjetividade do cliente. E, neste embate em especial, as propostas são bastante diferentes.
O Jeep Avenger traz desenho muito coerente com toda a gama da empresa, com vincos na dianteira que imprimem robustez, lanternas em "X" herdadas do irmão mais velho Renegade e a grade de sete fendas que é assinatura da marca.
A equipe de design da Stellantis foi tão bem-sucedida em trazer um visual mais aventureiro e vigoroso para um modelo subcompacto que o Avenger parece, por fotos, ser maior do que realmente é.
Já o Dolphin Mini tem o mérito de ter apresentado uma ruptura em termos de estilo quando chegou ao Brasil, com ar mais tecnológico. O visual, porém, parece ter envelhecido mais rápido do que o normal com a horda de carros chineses que entraram no mercado brasileiro desde então carregando códigos semelhantes.
2. Espaço e dimensões: porta-malas do Avenger faz a diferença
No papel, as dimensões colocam os dois carros em patamares distintos. O Jeep Avenger conta com 4,10 m de comprimento, 2,56 m de entre-eixos e 20 cm de vão livre do solo. Enquanto isso, o Dolphin Mini mede 3,78 m de comprimento e possui 2,50 m de entre-eixos. No dia a dia urbano, a carroceria mais curta do BYD garante facilidade para encaixar o carro em vagas apertadas, tão comuns em grandes cidades.
No entanto, o utilitário da marca americana domina o quesito pela grande diferença no porta-malas: são 320 litros (padrão VDA) no Avenger contra apenas 230 litros no Dolphin Mini. A margem é decisiva para quem quer investir R$ 120 mil em um carro mais versátil, que combine o uso do dia a dia com a possibilidade de acomodar mais bagagem para viajar.
Somado a isso, a altura livre do solo superior dá ao Avenger a versatilidade necessária para encarar valetas e estradas de terra batida mais regulares sem o receio de raspar o assoalho, garantindo a vitória ao SUV.
Vencedor: Jeep Avenger
3. Vida a bordo: ergonomia e conforto favorecem o elétrico
Apesar da vitória do Avenger em dimensões, a avaliação do interior traz os contrastes mais curiosos do teste. O modelo da Jeep peca na ergonomia do acesso. Com abertura de portas limitada, moldura mais alta e túnel central elevado, o carro exige que motorista e passageiros dobrem mais as pernas e abaixem a cabeça para entrar na cabine.
É uma restrição que faz toda a diferença quando se trata de um ocupante com alguma limitação de mobilidade, ppor exemplo. O condutor que leva filhos pequenos na cadeirinha no banco de trás é outro prejudicado: vai precisar fazer certo contorcionismo para acessar a fileira traseira.
Uma vez acomodado, o motorista que não tenha saído de um período à base de canetas emagrecedoras tende a sentir algum desconforto nos bancos dianteiros, que são estreitos e têm espuma elevada na lateral, o que pode gerar incômodo em viagens mais longas. Outro calcanhar de Aquiles é a central multimídia, que tem tempo de latência longo e demora a responder a alguns comandos.
Já que o fracasso de uns é o sucesso de outros, o BYD Dolphin Mini aproveita essas brechas e se destaca em conforto. A abertura das portas é ampla e o piso fica todo no mesmo nível, sem túnel central elevado ou obstáculo na entrada. A área envidraçada maior garante boa iluminação interna.
Assim, mesmo com um entre-eixos menor no papel, o hatch elétrico entrega 84 cm de espaço para pernas no banco traseiro — superando os 83 cm do Jeep. Com uma multimídia fluida de 10 polegadas e ergonomia bem resolvida, o Dolphin Mini vence este quesito com folga.
Vencedor: BYD Dolphin Mini
4. Desempenho e dinâmica: engenharia que conhece mais o Brasil leva
Debaixo do capô a diferença é grande. O Avenger tem o motor turbo T200 flex de 116 cv com sistema híbrido leve de 12V, enquanto o Dolphin Mini traz propulsor 100% elétrico dianteiro de 75 cv. Na rotina da cidade, o elétrico da BYD tem a vantagem do silêncio a bordo e das saídas ágeis de semáforo.
Todavia, seu acerto de suspensão peca pelo excesso de maciez. Mesmo após revisão na linha atual, o comportamento dinâmico do Dolphin Mini é mais anestesiado. O motorista tem menor sensação de controle em curvas ou velocidades mais altas.
Já o Jeep Avenger evidencia a maturidade da engenharia da Stellantis para o piso brasileiro. O carro tem acelerações dispostas com potência superior à do concorrente chinês e retomadas seguras em ultrapassagens rodoviárias.
A calibração da suspensão atinge o bom equilíbrio: absorve os buracos do asfalto com firmeza, sem repassar solavancos secos à cabine. O carro fica assentado e preciso nas mãos do condutor. Essa dinâmica garante ao Avenger mais um ponto no comparativo.
Vencedor: Jeep Avenger
5. Equipamentos e segurança: mimos urbanos contra sistemas Adas
Na disputa pela lista de itens de série, a versão topo de linha Dolphin Mini GS aposta nos mimos de conforto. O modelo chinês leva a vantagem com bancos dianteiros com ajustes elétricos, carregador de celular por indução e câmera de ré. São recursos atraentes para o uso diário.
Por outro lado, o Avenger Altitude — mesmo sendo a opção de entrada da gama — foca no que é vital: a segurança ativa. A Jeep equipou a versão de série com um pacote de sistemas avançados de assistência ao motorista (Adas) que inclui frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa com correção de trajetória e comutação automática do farol alto. Por priorizar tecnologias que comprovadamente evitam acidentes e salvam vidas, o Avenger leva a melhor na contagem de equipamentos.
Vencedor: Jeep Avenger
Veredito: no fim das contas, qual vale mais a pena?
Sai com a medalha de vencedor deste comparativo o novato Jeep Avenger. O modelo da Stellantis saiu vitorioso de três dos quatro critérios que valiam ponto. Vale destacar, no entanto, que alguns embates foram apertados e, claro, que a decisão final depende das necessidades de cada um.
Alguém que precisa de um carro o mais econômico possível para uso urbano pode tirar maior vantagem de um modelo elétrico, como o Dolphin Mini. Essa é a melhor escolha também para o cliente que precisa da melhor ergonomia de acesso possível em um modelo compacto.
Este comparativo foi uma batalha importante, mas certamente não é o ponto final da guerra em um mercado com cada vez mais marcas e com pluralidade tecnológica crescente como é o caso do brasileiro.
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