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Islândia rejeita retomada das negociações de adesão à UE

30 ago 2026 - 07h06
(atualizado às 07h08)
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Resumo
Em referendo nacional, a Islândia rejeitou a retomada das negociações de adesão à União Europeia, com 52,8% dos votos contrários. Pesaram na decisão a proteção das águas pesqueiras locais e a soberania nacional, com apenas a capital votando a favor. O governo prometeu acatar o resultado, retirando o tema da pauta até pelo menos 2028. Apesar do resultado, o país segue integrado ao bloco por meio do Espaço Econômico Europeu e do Tratado de Schengen.

Em referendo nacional, eleitores decidem pelo "não" ao reinício do processo de adesão à União Europeia. Questões internas podem ter pesado mais que as tensões geopolíticas, como a pressão dos EUA sobre a Groenlândia.A Islândia rejeitou em referendo a retomada das negociações para a adesão do país à União Europeia (UE), informou neste domingo (30/08) a emissora pública RÚV, citando dados oficiais.

O "não" à proposta de reiniciar processo para ingressar na UE venceu por uma margem de 52,8% contra 47,2%
O "não" à proposta de reiniciar processo para ingressar na UE venceu por uma margem de 52,8% contra 47,2%
Foto: DW / Deutsche Welle

Segundo a RÚV, o "não" à proposta venceu por uma margem de 52,8% contra 47,2%. A capital, Reykjavik, foi a única região a apoiar o "sim" no referendo.

Com o resultado, os islandeses rejeitam a proposta do governo para reabrir as negociações de adesão e concordam com o argumento de que as águas pesqueiras da Islândia são importantes demais para serem colocadas em risco.

A decisão dos islandeses representa um duro golpe para Bruxelas, que desejava a entrada de um novo Estado-membro rico no bloco e parecia disposta a fazer concessões em questões espinhosas para facilitar sua adesão. O resultado deve retirar a questão da agenda política islandesa pelo menos até 2028.

O país com pouco menos de 400 mil habitantes - dos quais cerca de 265 mil estão aptos a votar - solicitou a adesão à UE na esteira da crise financeira de 2009, que devastou sua economia. As negociações de adesão foram então suspensas em 2013, com a chegada ao poder de um governo eurocético.

Em meio ao agravamento das tensões internacionais, o atual governo da Islândia, liderado pela primeira-ministra social-democrata Kristrun Frostadottir, decidiu sondar os islandeses sobre um possível aprofundamento dos laços do país com a UE e antecipou o referendo que estava marcado para o próximo ano.

A pequena ilha do Atlântico Norte já está intimamente ligada à UE como membro do Espaço Econômico Europeu e do Espaço Schengen - a zona de livre trânsito que abrange 25 dos 27 países da UE, além da Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein -, laços que permanecerão inalterados mesmo com o resultado da votação.

O resultado do referendo não é vinculativo, mas o governo prometeu respeitá-lo.

"Ficaremos bem"

Os debates que antecederam a votação giraram principalmente em torno de questões internas e econômicas, embora a guerra na Ucrânia e a cobiça do presidente dos EUA, Donald Trump, pela vizinha Groenlândia - que ele confundiu com a Islândia em diversas ocasiões - também tenham pesado nas discussões.

A campanha "elevou as discussões sobre a UE, sobre o lugar da Islândia no mundo, sobre nossa situação e status geopolítico geral", disse Frostadottir neste sábado, depois de votar no referendo.

Ela se mostrou abertamente favorável ao "sim", mas também disse que "ficaremos bem também se for um 'não'". Frostadottir prometeu que, se a Islândia rejeitasse a retomada das negociações de adesão, a questão da permanência na UE não voltaria à agenda política durante seu mandato, que termina em 2028.

O governo também afirmou que, em caso de vitória do "não", deixaria para o Parlamento a decisão de retirar ou não formalmente o pedido de adesão do país à UE. Analistas políticos disseram não esperar que o governo renunciasse caso o "não" prevalecesse. Composto por três partidos com visões diferentes sobre a adesão à UE, o governo, porém, poderia sair enfraquecido de uma rejeição.

Pesca, taxas de juros e identidade nacional

A última tentativa de adesão à UE foi arquivada em 2015, em grande parte devido a preocupações com a integração à política comum de pesca do bloco.

Os islandeses vivem há séculos da pesca abundante de bacalhau e hadoque e relutam em abrir as águas geladas do Ártico para traineiras espanholas, holandesas e de outros países da UE - uma das exigências de Bruxelas. O governo afirmou que poderia tentar negociar uma isenção total dessa política.

Alguns economistas argumentaram que os islandeses, que enfrentaram dificuldades com a inflação e as taxas de juros elevadas, poderiam se beneficiar financeiramente da adesão à UE e, possivelmente, da adoção do euro.

A identidade nacional é outro fator que influenciou a decisão de voto. Os opositores da adesão à UE ressaltaram que a Islândia desfruta de todos os benefícios da integração europeia sem ser um membro pleno.

"Para um país como o nosso, com uma economia pequena, é muito importante manter nossa soberania e não transferir para a UE mais poder do que seria estritamente necessário", disse a ex-primeira-ministra Katrin Jakobsdottir em um evento em Reykjavik, na quinta-feira.

rc (Reuters, AFP)

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